“Será que esse projeto vai ser reconhecido?”

_midia_Imagem_00018600O capitão Felipe Neri Vani estava sentado em uma das centenas de poltronas da Sala São Paulo, na região da Luz, na Capital, no dia da 9ª edição do Prêmio Mario Covas. “Meu Deus do céu, será que esse projeto será reconhecido?”, se perguntava, em meio a uma angústia e ansiedade pelo anúncio dos vencedores da categoria “Inovação em Gestão Estadual”. Ele concorria com o “Despacho Social do Boletim de Ocorrência da PM (BOPM)”.

O maestro Roberto Sion regia a Orquestra Jovem Tom Jobim enquanto o capitão da Polícia Militar se revirava na cadeira, diante das provocações irônicas do tenente-coronel Marcos Renato Vieira, que dizia: “São só seis prêmios, Felipe, será que dá?”.

A premiação aconteceu na noite do dia 27 de maio. Foram 221 trabalhos inscritos inicialmente – sendo 31 dos órgãos de segurança –, dos quais 58 se tornaram finalistas. Desse total, oito eram das polícias Civil e Militar. Durante a noite, 21 dessas iniciativas foram premiadas.

Quando o primeiro troféu foi entregue para a gestão estadual, Neri Vani começou a ficar impaciente na plateia. E Vieira continuava sua provocação, escondendo o nervosismo da ansiedade por trás das palavras. “Faltam cinco, faltam quatro, agora faltam três. Felipe, só faltam dois, e agora?”

Felipe acabou deixando a ansiedade e a paciência o desesperarem. Neste momento, do palco, se ouviu uma voz que anunciava: “O prêmio vai para o Despacho Social do Boletim de Ocorrência da Polícia Militar”. Ele sentiu um frio na barriga. Com uma felicidade contida, Neri Vani subiu ao palco, acompanhado de seu comandante, onde receberam o troféu e um tablet das mãos de secretários de Estado. O capitão, então, agradeceu mentalmente o que chamou de “resposta lá de cima”.

Visibilidade

De acordo com o policial militar idealizador do projeto, são dezenas, talvez centenas de iniciativas criadas todos os anos no Estado.

Ganhar o Prêmio Mario Covas gera uma grande visibilidade, além de uma possível ampliação da iniciativa. “Queremos ser copiados, sim, quem sabe por todas as cidades, porque acreditamos que o projeto é bom e ajuda a melhorar a sociedade”, conta Neri Vani, com entusiasmo.

Para ele, o evento é “muito importante, porque consegue aprofundar o conhecimento de cada um dos projetos, além de mostrar a transparência e as ações pontuais de cada um deles e da administração pública”. O capitão ainda sonha que a ajuda da polícia – através do projeto que ele chama de “nova maneira de pensar” – seja estendida a todo o Estado, com boa vontade e ótima produtividade.

História

Apesar de ter sido implantado socialmente em 2007, o programa surgiu muito antes, na Polícia Ambiental. Foi no ano de 1999 que aconteceu o primeiro despacho inovador do BOPM, quando Neri Vani integrava o policiamento ambiental. O capitão conta uma história que ilustra a necessidade dessa comunicação com outros órgãos:

“Um homem cometeu uma infração ambiental. Nós fizemos o flagrante e me lembro de que ele teria que pagar uma multa no valor de R$ 193,70. Quando dissemos para ele o valor da multa, ele riu da gente, riu da polícia. Fizemos um BOPM. Com uma autorização, eu enviei esse boletim de ocorrência para o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Com esse repasse da informação, o tal homem pagou um multa de R$ 10 mil – que foi aplicada pelo Instituto – e, creio eu, nunca mais riu da polícia nem da lei.”

No ano de 2010, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SMA) incluiu a Polícia Militar no artigo 3º da resolução número 32/2010. Isso significa que a corporação é uma autoridade competente para lavrar auto de infração ambiental, instaurar processo administrativo e também é uma entidade de fiscalização.

A partir dessa resolução, o projeto passou a ser ampliado, na cidade, através de parcerias com a Prefeitura e outros órgãos, como a Polícia Federal, o Conselho Tutelar e, principalmente, o Ministério Público (MP). Hoje, o programa é desenvolvido em 18 municípios da região de Lorena.

Com o auxílio recíproco do MP, a PM multiplica sua atuação, como ressalta o capitão Felipe. “Além de cumprir o trabalho habitual, função da Polícia Militar, nós conseguimos fazer muito mais para ajudar a sociedade, num contato mais próximo com a população”, conclui.

Leia “Café com a polícia”, a primeira parte desta reportagem.

Café com a polícia

Neri Vani recebeu o prêmio da secretária da Agricultura, Mônika Bergamaschi, e do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Samuel Moreira

Neri Vani recebeu o prêmio da secretária da Agricultura, Mônika Bergamaschi, e do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Samuel Moreira

“Um roubo acontece. O suspeito ameaça a vítima com um revólver, leva seus pertences e a deixa assustada. A polícia consegue prender o homem, pouco depois da ação. O rapaz vai ficar preso. Em termos legais, tudo está certo. Mas para a vítima é diferente. Geralmente, ela fica com um medo retido dentro de si e apresenta sinais de estresse pós-traumático. Um médico pode ajudar – e nós também! Observando isso, criamos um tipo de visita comunitária. Os policiais que socorreram a vítima depois do roubo vão à casa da pessoa saber como ela está, tomar um café e conversar. A população responde positivamente a isso e passa a confiar mais na polícia e, aí, nasce uma relação de amizade.”

A cena narrada acima pelo capitão Felipe Neri Vani aconteceu e virou rotina na região de Lorena, no interior de São Paulo, onde a Polícia Militar criou um projeto para facilitar a fiscalização de crimes pelos órgãos públicos e privados. O “Despacho Social do Boletim de Ocorrência da PM” gerou outras consequências positivas, como o estreitamento de laços entre a polícia e a população local.

Foi com a criação do projeto que os policiais da região de Lorena perceberam, na prática, o quanto era importante participar da vida social da comunidade, em festas, comemorações ou eventos gerais. Não só como profissionais da segurança, mas também como cidadãos.

Da iniciativa, surgiu a ideia de visitar, em casa, as vítimas de crimes ocorridos na região, como contou o próprio idealizador do projeto, o capitão Neri Vani, oficial de Comunicação Social, de Recursos Humanos e adjunto de Qualidade do 23º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM/I).

A atuação nesses casos faz com que a população local aumente sua confiança na Polícia Militar. Essa credibilidade une os dois lados para que atuem juntos contra o crime, com a ajuda da Polícia e da sociedade que denuncia.

Neri Vani se diz feliz com os resultados e empolgado com o futuro do projeto – que recebeu em maio o troféu da 9ª Edição do Prêmio Mario Covas. “É importante que todo mundo saiba: nós estamos ao seu lado!”.

Despacho social

Com a criação do projeto, o registro de trabalho da Polícia Militar, o BOPM, pode auxiliar outros órgãos, públicos e privados, na fiscalização de crimes em 18 cidades do interior do Estado de São Paulo.

O capitão Neri Vani criou o programa social em 2007, quando comandava a subunidade da 4ª Companhia do 23º BPM/I, que fica na cidade de Cruzeiro – distante 220 quilômetros da Capital.

O batalhão é sediado em Lorena e cobre ainda outros municípios: Aparecida do Norte, Arapeí, Areias, Bananal, Cachoeira Paulista, Canas, Cunha, Guaratinguetá, Lagoinha, Lavrinhas, Piquete, Potim, Queluz, Roseira, São José do Barreiro e Silveiras.

Nas cidades, a Polícia Militar tem contato direto com o prefeito. Aos gabinetes, são encaminhados relatórios de “vulnerabilidades sociais”. Os documentos são levantamentos e análises dos atendimentos de ocorrências policiais militares, como as que envolvem drogas e álcool. De acordo com a PM, 70% das ocorrências locais são de cunho social.

Segundo o capitão, casos de violência contra a mulher, o idoso, a criança e o adolescente são encaminhados às autoridades responsáveis. Outros tipos de problemas, como os relacionados à infraestrutura, por exemplo, também fazem parte do programa. “Com isso, a Polícia Militar está fortalecendo outros órgãos – e isso é recíproco”, afirma Neri.

Apenas no ano de 2012, a 4ª Cia. do 23º BPM/I enviou cerca de 470 casos de problemas sociais às 18 prefeituras locais. “Sem aumentar o orçamento, podemos, como Estado, auxiliar os municípios”. No total, são realizados 27 tipos de encaminhamentos.

É importante destacar que o BOPM é diferente dos boletins de ocorrência registrados em delegacias (Polícia Civil), que têm a função de mostrar qual é a infração penal de cada caso, identificar os autores e reunir provas a fim de prender suspeitos e colocá-los à disposição da Justiça.

O BOPM, afirma Neri, serve para a comprovação do trabalho dos policiais militares em cada ocorrência que eles participam, sejam elas originárias do Centro de Operações da PM (Copom) ou flagrantes feitos nas ruas.

Polícia Comunitária

Com a nova dinâmica do “Despacho social do BOPM”, a região de Lorena passou a dar mais espaço para a Polícia Comunitária. Esse policiamento tem como fundamento o contato com a população, fazendo com que os policiais entendam melhor sua característica e avalie suas necessidades.

Segundo o idealizador, o projeto está motivando outras ideias. Por exemplo, a cidade tem realizado um cadastramento de flanelinhas. De acordo com a polícia, com esse levantamento, o número de pessoas que trabalham irregularmente na vigilância de carros diminuiu. Os “flanelinhas” conseguem regularizar-se no trabalho, na maior parte dos casos.

“Tudo isso é feito em contato com as Prefeituras e com uma comunicação direta com os promotores públicos”, destaca Neri ao ressaltar a importância da integração de todos os órgãos atuantes nos municípios, sejam eles de responsabilidade do Poder Executivo – local, estadual ou federal –, do Legislativo ou do Judiciário.

O projeto é coordenado pelo comandante do Batalhão, tenente-coronel Marcos Renato Vieira. Além de Neri, a equipe também é formada pelos capitães Sérgio Israel dos Santos Júnior, Claudio Yuri Chaves da Silva, José Ronaldo Andrade e Marco Antonio de Oliveira.

O “Despacho Social do BOPM” foi reconhecido pelo Premio Mario Covas. Foi com grande emoção que o capitão recebeu a homenagem, acreditando que sua “nova maneira de pensar” pode, a partir do Prêmio, ser estendida a todo o Estado.

Leia a segunda parte da reportagem.

Polícia Militar detém 7 durante operação no interior de SP

Foto: Polícia Militar

Foto: Polícia Militar

Dois procurados pela Justiça foram capturados, duas pessoas presas e três adolescentes apreendidos durante uma operação realizada pela Polícia Militar, no município de São José do Rio Preto, que fica a 454 quilômetros da Capital. Além disso, o resultado da ação mostra que 53 veículos foram vistoriados.

A ação, articulada pelo 17º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM/I), começou na tarde de quinta (6), por volta das 15 horas, terminou na primeira hora de sexta-feira (7), e contou com a participação de todas as equipes do Batalhão.

Durante as 10 horas da operação, foi cumprido com sucesso um mandado de prisão contra um suspeito de furto. Um foragido de Mongaguá também foi capturado – ele havia saído da prisão durante o Dia das Mães, no mês passado, não mais retornando.

Os policiais militares conseguiram ainda flagrar um rapaz suspeito de furto a residência.

Tráfico de entorpecentes

Por vender oito pedras de crack e uma porção de maconha, um adolescente de 17 anos foi apreendido durante a ação. Outros dois menores também foram detidos enquanto comercializavam oito pinos de cocaína.

De acordo com a Polícia Militar, os garotos, de 16 e 17 anos, são reincidentes, já estiveram envolvidos com o tráfico de entorpecentes e também com furto de motocicleta.

“Tenho que fazer a correria”

A outra prisão aconteceu no bairro Solo Sagrado. Uma equipe do Canil deteve um homem suspeito de vender drogas. Por volta das 15 horas de quinta-feira (6), L.F.S., de 38 anos, saía de uma casa quando foi abordado pela PM.

O homem sequer disse seu nome aos policiais, começou a ficar nervoso e a suar frio – o que motivou a abordagem. Ele falou que não escondia nada de ilegal em sua residência, mas o local foi vistoriado.

Em seguida, o cachorro “Ice” entrou em cena e farejou todo o imóvel. Na área de serviços – que fica no fundo da casa –, o cão começou a pular em direção ao teto.

Os policiais subiram para verificar se algo estaria, de fato, escondido ali. O faro de “Ice” ajudou na apreensão de uma sacola plástica com três tijolos de maconha, além de 40 pinos vazios para a embalagem do entorpecente.

Junto com a sacola, estavam duas balanças de precisão. Segundo a Polícia Militar, o peso bruto da droga era de 3,4 quilos – a substância será periciada pelo Instituto de Criminalística (IC).

Enquanto isso, o suspeito tentava se justificar aos policiais dizendo que precisava “fazer a correria”.

L.F.S. foi preso por guardar drogas sem autorização e encaminhado a um Centro de Detenção Provisória (CDP). O caso foi registrado no Plantão da Delegacia Seccional de São José do Rio Preto.

Autuações

Na operação, durante a fiscalização aos 53 veículos, também foram feitas cinco autuações. Uma pessoa foi flagrada dirigindo sem a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), outra sem os documentos do carro, uma por usar o celular ao volante, um motorista por dirigir sem cinto de segurança e um motoqueiro por estar sem capacete.