Leitor raiz

O leitor raiz tem uma visão romântica do livro. O leitor raiz tem prazer em folhear as obras. O leitor raiz suspira ao sentir um cheiro de páginas novas – e também adora o perfume dos antigos. O leitor raiz fica encantado com o amarelado de um livro velho. O leitor raiz vai me corrigir, dizendo que não há livros velhos, mas clássicos.

Já o leitor nutella pouco se importa se o livro não tem orelhas nem pensa duas vezes antes de dobrar uma página para marcá-la. O leitor nutella não se importa se as páginas são offset (brancas) ou pólen (levemente amareladas). O leitor nutella sequer tem problemas em ficar horas lendo no computador e espirra com livros empoeirados.

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Concerto

Um grilo canta
serenata aos pernilongos –
noite de verão.

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A fé na avenida

A origem do carnaval é mais ou menos pagã (pelo menos aos olhos dos cristãos). Os religiosos conservadores abominam a festa que antecede a quaresma, a paixão e a ressurreição de Jesus. Mas em poucas épocas do ano se fala tanto em religião quanto durante o reinado de Momo.

Ora, você pode dizer que eu estou ficando maluco. Não estou. E vou mostrar isso. Os enredos de todas (todas) as escolas do grupo especial paulistano que desfilaram no sambódromo faziam referências diretas ou indiretas à fé ou a religiões.

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Prosa porque não consegui versos

O homem e a mulher, quando se amam, são como a composição de uma poesia, ele e ela em versos intercalados. Ainda que tudo seja diferente, a rima torna os fins iguais e é isso o que os completa.

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Retalhos de almas

Afinal, todos somos como Lord Voldemort. Queremos deixar partes da nossa alma espalhadas pela cidade afora, para que sejamos imortais. Claro que ele, com as horcruxes, queria algo diferente de nós.

Só queremos ser lembrados como alguém que marcou alguém.

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