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Foi-se o tempo em que os namoros surgiam daquela olhada da mulher para o homem através do espelho escondido no leque, em que o amor era declarado com as palavras fortes de Shakespeare – “O amor não vê com os olhos, vê com a mente; por isso é alado, é cego e tão potente.”. Até alguns meses atrás, nas ruas, o que percebíamos (quando percebíamos) eram pessoas olhando, “chegando” nas outras, e já indo direto ao ponto: o pedido para ficar, que no geral, era dito assim: “Você, você, você, você, você, você, você quer?”, e o outro dizia “sim” e todos viviam felizes para sempre, até que aparecia alguém mais interessante. Nesta década de 10, nem essa informalidade para a criação de relacionamentos é usada mais. Caiu no esquecimento. Hoje em dia, os adolescentes amam a cada dia uma pessoa diferente, que conhecem em comunidades do tipo “Eu amo o Seu Madruga” no Orkut, ou em bate-papos da web. E é nesse tipo de criação de vínculos de amizade e confiança que surgem os perigos aos quais o jovem moderno está mais exposto.

O namoro virtual é um tipo de relacionamento que cresce cada vez mais entre nossa geração, com disputas e até prêmios para casais virtuais. Só que, durante as conversas, surge a dúvida (ou não): a pessoa do outro lado da tela é realmente quem ela diz que é? Até pouco, isso era extremamente difícil de descobrir – não que hoje seja fácil, mas agora temos o recurso mais avançado do sistema de transmissão de áudio/imagem por webcam, assim podemos ver a pessoa. Então, a pessoa que eu vejo é a mesma, mas será que ela age do mesmo modo como no MSN ou no Skype? Aí é onde se cria a incerteza, pois só pode ser algo comprovado pessoalmente e com uma convivência. E a curiosidade acaba por vitimar ingênuas pessoas. Em 14 de fevereiro deste ano, foi assassinada uma jovem de 37 anos, Janinha Pereira de Freitas, após um encontro com seu “namorado virtual”: o que possivelmente é amor de uma das partes pode ser puro interesse e maldade da outra. Entretanto, não são poucas as histórias de relacionamentos duradouros de pessoas que se conheceram por meio dos chats, mas na maioria desses casos os envolvidos tinham alguma ligação, como por exemplo, amigos de amigos.

A realidade é que nunca podemos saber o que se passa na mente da outra pessoa, estando ela próxima ou não, e exatamente por isso é que tudo na nossa vida se torna tão complicado. O perigo do namoro virtual não é em si a existência de uma amizade e conversas entre duas pessoas, mas o excesso de confiança (há trocas de telefone, endereço, nomes de escolas, de parentes) em indivíduos que, do outro lado, podem estar mal-intencionados. Agora diga: você gostaria que sua avó tivesse um ataque cardíaco ao receber o telefonema de um desses contatos virtuais os quais sabem tudo sobre você dizendo que você foi seqüestrado? O maior perigo não é, por incrível que pareça, o contato físico, mas o psicológico, em que há a identificação e manipulação de sentimentos, com o envolvimento emocional, pois é o que as pessoas procuram: há ainda o medo de buscar os relacionamentos na chamada “vida real”.

A nossa vida não depende apenas das nossas boas intenções; depende da relação e ligação que têm com o que está ao nosso redor, assim o perigo constante de relacionamentos com desconhecidos. Para que viver o amor nas ondas em que navega o seu barco na internet, se o amor pode ser vivido agora e alcançado pelos passos em chão firme?

Coluna Juventude é o Foco

jovens@santoantoniobancarios.com.br

Texto publicado no Boletim Informativo Santo Antônio

(edição nº 4, junho de 2011).

pascom@santoantoniobancarios.com.br

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8 comentários em “@mor-perigo.com

  1. ér cara posso concordar com você em alguns requisitos.Mas passou uma pesquisa aí que a maioria dos casais se divorciam por causa de redes sociais.É o que eu ví né?Não tô afirmando nada.
    bom cara adorei esse seu blog em wordpress,queria que você me visitasse e desse sua opinião sobre meu blog!brigadão aew!um forte abraço e fique com deus!Eu aposto que o meu comentário foi o que você mais gostou porquê eu fui sincero e comentei de acordo com o seu post.Bom…faça o mesmo comigo.
    ————————————————————————————————————————————————-
    zoeirasanimada.blogspot.com

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  2. Oi Rafael,

    Não é a tecnologia que complica o amor, mas o próprio homem E você, como fã que diz ser de Shakespeare, já deve saber disso.

    P.S.: Quando escrevo “homem”, pelo amor de Deus, me refiro à generalização da espécie humana. (Se não explico, daqui a pouco aparece um monte de gente por aqui me chamando de feminista).

    P.S. 2: Você escreve muito bem. Só deveria ser um pouquinho menos radical. A dialética é a arte dos sábios. Use-a.

    Abraços!

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