“Isto vai dar manchete…”


Trechos do livro “Quem? Quando? Como? Onde? O quê? Por quê? maneira prática de escrever um texto jornalístico ‘em português bem claro!“, de Ana Tereza Pinto de Oliveira e Edgard de Oliveira Barros – ambos professores da FIAM. Publicado em 2010, em São Paulo, pela Editora Plêiade, o livro tem 312 páginas e custa R$ 30.

“O jornalista é um eterno sonhador: mal termina uma guerra, começa outra. Lutador de todas as causas, ele vive disso. Em contrapartida, pessoas ou grupos cujos interesses saem feridos costumam reagir fortemente, quase além da conta. Vingativos, culpam a imprensa, culpam jornalistas, ameaçam ir à forra. Às vezes vão e chegam a matar. Mas não conseguem virar as páginas. (…) O verdadeiro jornalista vive dos confrontos que encontra. Seu coração só bate forte e pleno quando ele põe para fora todo o seu inconformismo em relação ao que presume estar errado. Infinitas batalhas na guerra pelos ideais. Parafraseando o poeta, lutar é preciso, viver não é preciso.” (p. 11-12)

“Tradicionalmente, a composição de uma manchete de jornal costuma ter um número determinado de letras (a eterna ditadura da forma que tanto massacra os criativos…) e a manchete daquele dia, conforme determinação dos ‘diagramadores’ deveria ter 30 letras. ‘Quebramos a cabeça e a coisa não saía’, contava Galdão [Milton, jornalista]. Depois de muito espremer, chegaram ao tradicional ‘Corinthians preparado para o clássico’. Sem as aspas, claro, o título soma 37 letras. Sete a mais. A cena do ‘põe papel na máquina de escrever, tira papel da máquina de escrever, faz bolinha de papel e joga bolinha de papel fora’, que era o que mais se fazia na época, repetiu-se cem, duzentas vezes. Busca daqui, busca dali, Galdão e Thomaz Mazzoni concentraram-se na palavra ‘time’. Time pra cá, time pra lá e nada. De tanto escreverem a palavra time, acabaram errando e escrevendo Timão. ‘Timão’ pronto para o clássico. A manchete do Timão com aspas fez furor.” (p. 97)

“Os seres humanos são movidos pela emoção. Os bons textos vêm carregados de emoção. Se você escrever emocionado, às lágrimas, seu leitor vai chorar junto. Se você escrever alegre, descontraído, rindo da vida como quem conta piadas, seu leitor vai morrer de rir. (…) Escrever para doer, escrever para emocionar e até para machucar se o assunto assim o exigir e as informações conduzirem para isso. Quando dói, quando machuca a alma, é que a coisa pega.” (p. 110-111)

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