Cartas do amor que espera


Um estudante de filosofia e um velho professor que voltou a viver na casa em que foi criado por seus pais. Lá, o professor Abner cuida de um jardim – sonho projetado por sua esposa, Flora, que faleceu vítima de câncer.

Alfredo foi abandonado pela mulher de sua vida, Clara, que fugiu com um vendedor de flores. Recorre a Abner, que seria autor de um livro ainda não lançado, intitulado “A dor do amor à luz da Filosofia”. O objetivo do apaixonado era entender a dor e conseguir seguir sua vida sem a mulher de sua vida.

Os dois então passam a se comunicar por meio de cartas, para falar sobre as dores da vida, refletir sobre elas e ensinar um ao outro.

“Tempo de Esperas” (Planeta do Brasil, 2011; 168 páginas; R$ 19,90), romance epistolar de padre Fábio de Melo traz um tema comum ao leitor: o amor e suas perdas, quem errou e como consertar o erro e como aceitar as dores cotidianas.

“Um dia eu precisei amar a minha dor. Era o único jeito que tinha de continuar vivendo. Ou aprendia, ou morreria com ela. Resolvi aprender. Desde então, minha dor é minha companheira, minha mestra, minha parceira. Deixou de ser minha inimiga no momento em que eu a olhei nos olhos e aceitei conhecê-la com mais propriedade. Quis entrar nos mistérios de seus mecanismos com o intuito de poder administrar melhor as suas consequências.

Eu não a busco, mas, quando chega, abro as portas para que não force as janelas. Deixo que entre, ofereço-lhe um café, olho nos seus olhos para que não cesse o medo e depois me empenho em deixar que fique o tempo necessário, até que se dissolva por si só, pela força do tempo. Quando acolhida, a dor se dissipa aos poucos, e, de maneira incrível e surpreendente, o que parecia ser tão definitivo transforma-se em matéria transitória.

Pode parecer-lhe estranho, mas eu prefiro que ela se acomode na sala. Se eu não permito que ela entre, ela fica batendo na minha janela, dia e noite, impedindo-me o sono.” (Abner, páginas 31 e 32)

Seria um livro “mamão com açúcar”, não fosse a simplicidade e a ingenuidade com a qual os dois personagens proseiam por correspondência.

No debate sobre esse tipo de tema, os autores insistem em inovar, mas não obtêm um êxito maior do que no entendimento comum que está guardado nos sonos de quem perde um grande amor.

Logo na primeira carta, Alfredo – o ser até então racional –, afirma: “A escrita é uma aventura perigosa. Nela o coração humano se registra e se revela”. E assim seguem, a cada carta, as revelações de ambos os lados, até uma conclusão, após anos.

Abner, o professor, trabalha (por meio das correspondências) para transformar a dor do “prezado Alfredo” em motivos para que ele se torne uma pessoa melhor, mas mantém sob segredo os fatos mais importantes para o desfecho da história – e da vida.

O leitor mais dedicado, logo nas primeiras páginas já desvenda quase tudo o que vai acontecer no final da história. Um enredo previsível deixa de ser interessante. O começo e o fim, entretanto, passam por um “meio”. E a essência do romance escrito por Fábio de Melo está não só no que liga o princípio ao final, mas no espaço entre as linhas de cada página.

Poético, filosófico, sensível, aparentemente complexo, porém “eternamente” simples, “Tempo de Esperas” trata a realidade de uma perda amorosa da maneira como se conhece o amor: sabendo muito sem saber afinal; e prega que é preciso esperar (numa espera em que o trabalho também é necessário) para alcançar os sonhos. Porque “o amor sobrevive é de esperas”.

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8 comentários em “Cartas do amor que espera

  1. Oi adorei sua resenha!.. muito obrigado…me fez se interessar pelo livro….mas vc já leu o livro reverso escrito pelo autor Darlei… se trata de um livro arrebatador…ele coloca em cheque os maiores dogmas religiosos de todos os tempos…..e ainda inverte de forma brutal as teorias cientificas usando dilemas fantásticos; Além de revelar verdades sobre Jesus jamais mencionados na história…..acesse o link da livraria cultura e digite reverso…a capa do livro é linda ela traz o universo de fundo..abraços. http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?

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