Ainda bem que a minha mãe é legal


Sua mãe é a melhor do mundo, certo? Certo. Imagino que se perguntarem isso para Sophia e Louisa, elas poderiam responder algo a mais – e talvez, um pouco diferente.

Sophia e “Lulu” são as filhas de Amy Chua com Jed Rubenfeld. Elas foram criadas à moda chinesa, a que podemos chamar (de acordo com os nossos costumes) de “carrasca”.

O método chinês de criação de filhos, entre outras coisas, proíbe as crianças de dormirem na casa de amigos.

Estranho? Nem um pouco perto de não poderem aceitar convites para brincar; participar de peças encenadas na escola (e reclamar por isso); ver televisão; jogar no computador; escolher atividades extracurriculares; tirar nota menor do que A (a mais alta)…

“Grito de Guerra da Mãe-Tigre” (Intrínseca, 2011; 240 páginas; R$ 29,90) é um livro de memórias escrito por Amy Chua. Ela é professora da Escola de Direito da Universidade de Yale. Nós, “ocidentais”, poderíamos chamá-la de professora da tortura (na família dela, claro).

Das poucas proibições que foram citadas (sim, leitor, existem milhares de outras mais), você pode imaginar como sofrem as crianças. Será que os pais não se importam? Na obra, Chua reclama que os pais ocidentais se preocupam muito com a autoestima dos filhos.

“Uma das piores coisas que um pai ou uma mãe pode fazer para a autoestima do filho é deixá-lo desistir. Por outro lado, nada dá mais confiança à pessoa do que ver que ela é capaz de fazer algo de que se julgava incapaz.” Um pouco perturbador, mas realmente verdadeiro o que ela afirma.

Jed, o marido, aceitou o tipo de educação que Amy queria. Não sabia, porém, que poderia ser tão paranoico, às vezes: a mãe obrigava as filhas a estudarem (Sophia, piano; Louisa, violino) durante muito tempo – nas viagens internacionais, nas férias, quando estavam doentes…

Amy relata que sempre perguntam: “Por quem você está fazendo todo esse esforço: suas filhas ou você?” “Acho essa uma pergunta muito ocidental (porque, pela mentalidade chinesa, o filho é a extensão do eu).”

A chinesa obcecada lida com uma filha calma, que guarda uma “raiva silenciosa”, e com outra que é tão explosiva quanto a mãe. Consequentemente, esta é a que mais vai aparecer na história, ora como vilã, ora como heroína.

O site de “Battle Hymn of the Tiger Mother”, de Amy Chua é http://amychua.com/ 

Chua, apesar da autoridade, tem medo de que as filhas, algum dia, a abandonem, a mandem para um asilo. Sempre volta atrás, com seu pensamento orgulhoso de que para os chineses, quando se trata de pais, nada é negociável. “Seus pais são seus pais, você lhes deve tudo (mesmo quando não deve) e tem de fazer tudo por eles (mesmo que isso destrua sua vida).”

Revoltante e às vezes inaceitável para a nossa “cultura ocidental”, a Mãe-Tigre ensina e explica os pontos bons e ruins na educação dos filhos ao modo tradicional da China. Mostra ainda como algumas regras importantes são esquecidas pelas famílias num geral.

A frase com que podemos resumir o livro, porém, é: “ainda bem que a minha mãe é legal” (ainda que Amy Chua também tenha sido, algumas vezes, com Sophia e Louisa).

Fale conosco: reticenciajornalistica@uol.com.br

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4 comentários em “Ainda bem que a minha mãe é legal

  1. Gostei da proposta do livro, não tenho filhos mas trabalho com crianças. E sei como é difícil educá-las. E isso é porque olho de fora, imagina ser pai ou mãe. É uma grande responsabilidade. Por isso nessa hora mais do que repetir o que nossos pais fizeram é bom tentar olhar as coisas de outro angulo e tentar achar uma forma de acrescentar algo a mais na educação dos filhos.

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