Não me pergunte!


Entrei nessa dança do jornalismo (aliás, essa dança deveria ser mais proibida do que a lambada ê, lambada lá) porque é mais fácil perguntar do que responder.

Você não sabe, você pergunta. Mas se você sabe e te perguntam, aí você não sabe responder, ou tem que pensar numa maneira de REI – responsável, educativa (dizer algo para quem não sabe) e interessante – para falar.

Seria muito mais legal se quando me “interrogassem”, eu tivesse apenas três alternativas para a resposta: sim, não e talvez. Sem pepinos, sem problemas. Claro que eu odiaria que o meu entrevistado fizesse isso. Fizesse, sim, porque pensar, com certeza ele pensa. (Alguns não pensam, mas faz parte da vida.)

Digo isso porque, outro dia na faculdade, grupos se dividiram para fazer o perfil de uma pessoa. E fizeram o meu.

E não me agrada nada a ideia de ter vários pares de olhos – vesgos ou não, míopes ou não – a analisar minhas controvérsias existenciais. Ser entrevistado é treinar o autocontrole das tremedeiras, do desvio pensativo (e por que não romântico?) do olhar sob os óculos.

Timidez, que desgraça! Sempre fazendo o constrangimento pessoal se tornar universal. Graças à gagueira repentina. Repentina e reveladora. Porque “Deus está nos detalhes”, como costuma dizer o jornalista Claudio Tognolli.

Apesar dos pesares da cara-de-pau mascarada, seria interessante ter contado que faço aniversário um dia após a minha mãe (vou falar sobre isso em maio, aqui). Ou que minha vira-latas tem quase a minha idade.

Mas por que responder sem ninguém perguntar?

Digo mais: não há motivo para falar demais para quem tem os mesmos objetivos profissionais que você. Seria entregar o ouro antes de acabar a corrida.

Quem é entrevistado tem coisas mais importantes para se preocupar!  Já pensou: e se algum entrevistador odeia o cara que responde? E se o entrevistador quer se vingar por algum motivo?

Só de lembrar que jornalista não se vinga, faz reportagem…

Se estou criticando quem faz entrevistas, estou me criticando também? Sim, estou, porque é preciso não ser hipócrita algumas vezes.

Sobre o trabalho, pensando bem, quem tem que fazer as perguntas sou eu.

Não gostou? “Passe no RH.”

Att, a direção.

—————————-

PS: No domingo, dia 1º de abril, a capa da Folha, em branco (veja aqui), com as frases: “1º de abril, Dia da Mentira” (na parte superior) e “Folha. Nada além da verdade” (inferior). O “nada além da verdade” foi brincadeira do primeiro dia de abril? Ou, se não foi, qual é a verdade da Folha de São Paulo?

PS2: Boa Páscoa aos leitores!

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2 comentários em “Não me pergunte!

  1. Interessante,jornalismo é um dos meus planos para a Facul…
    Mas devo confessar que não gosto do perfil da maioria dos jornalistas: muitos são irônicos, debochados e tem um certo tom de superioridade.

    Senhor dos Ventos

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  2. Pensei em fazer jornalismo.
    Mas nunca fui boa com perguntas. Nunca fui boa com a escrita. Nunca fui boa com a gramática. Então desisti.
    Escolhi Psicologia.
    Pensamos que perguntar é algo simples, mas não, não é.
    Tem que ter uma ironia ou não na voz, em tudo. Ser jornalista deve ser uma profissão muito complicada. Coragem.
    rs

    Abraço

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