Tumores, trataremos?


O pai da psicanálise, Sigmund Freud, disse que “é impossível imaginar a nossa própria morte e, sempre que tentamos fazer isso, podemos perceber que ainda estamos presentes como espectadores”.

Quão estranho deve ser uma pessoa saber que tem uma doença grave e corre o risco de morrer? Não me vejo feliz numa cama, esperando talvez a morte, ou talvez a vida.

Já reclamou alguém que o grande problema da vida é a morte…

Markus Zusak escreveu em seu best-seller, “A menina que roubava livros”, que quando a Morte conta uma história, devemos parar para ler. O que acontece quando nem a Morte nem a Vida querem chegar ao clímax de seus contos?

Ao pensar nessas minhas eternas curiosidades, resolvi fazer uma pesquisa sobre “a doença maldita”: o câncer. Para isso, li alguns artigos de psicologia, que tinham a palavra-chave dominante “psicossomática” (não me pergunte, entretanto, o que significa).

A primeira reação de uma pessoa que recebe o diagnóstico de câncer é negar o fato, porque – obviamente – ninguém espera tal constatação.

“Muito frequentemente as pessoas duvidam que estejam lhes dizendo a verdade. É um momento de grande angústia, sensação de vazio e abandono, onde a introspecção proporciona uma revisão nos valores e na vida em geral, onde afloram lembranças de pessoas queridas ou conhecidas que, muito possivelmente serão deixadas para trás”, afirma no site Psiqweb o psiquiatra Geraldo José Ballone.

Passada a primeira fase, vem o medo. O medo de morrer. Aí conseguimos entender bem aquela frase de Freud citada no parágrafo de abertura deste texto. O sofrimento causado pelas angústias, às vezes, talvez seja maior do que o causado pela doença em si.

Além dessas da negação e do medo, há ainda outras reações para – especialmente – o câncer, sejam elas físicas ou psicológicas. Ballone explica que “as reações psicológicas podem incluir  raiva, mágoa, culpa, ansiedade e tristeza”; já as físicas, dificuldade para dormir, mudanças no apetite, queixas ou doenças somáticas (doenças físicas originárias de algum trauma psicológico ou de um estresse vivido).

Há ainda as reações sociais, que causam impaciência (um eufemismo, talvez) com visitas, amigos e familiares, e, consequentemente, o isolamento. Muitos ainda têm o desejo de voltar ao trabalho – aqui o leitor pode ver que o desespero é realmente grande…

O câncer, para a psicóloga Eliane Sá Brito, em breve será tratado como uma gripe ou um resfriado.

Enquanto isso não acontece, ficamos esperando e acompanhando o que acontece. Sentados, de braços cruzados.

Em exemplo, no dia 18 de abril, o Ministério da Saúde anunciou o investimento de R$ 505 milhões no tratamento de câncer para o país inteiro. A prioridade é a compra de máquinas para radioterapia e modernização de outros equipamentos.

Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) mostram que o Brasil deve ter 520 mil casos da doença só neste ano. Com a nova verba, planeja-se comprar 32 novos aparelhos para radioterapia.

Estudo do mesmo órgão projeta que o custo do tratamento de câncer aumentará oito vezes nos próximos dois anos e sairá sete vezes mais caro que ações de prevenção.

Quanto vale a sua saúde?

Em quantas vezes, no cartão e sem juros, você parcelará a sua vida?

 

 

 

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