Casos pastorais


Quem é praticante de alguma religião, sabe que muitos dos coordenadores de movimentos pastorais são um tanto quanto contraditórios.

A expressão “pastoral”, muito usada para denominar grupos da Igreja Católica (Pastoral da Criança, por exemplo), significa – segundo o dicionário Caldas-Aulete – aquilo que é referente ao pastor espiritual. Ou ainda: “Circular do papa ou de um bispo em que se expõe doutrina religiosa ou lição de moral”.

Uma pastoral tem três funções, digamos básicas: a de “evangelizar”, ou seja, levar o conhecimento bíblico a “todos os povos e nações”; a litúrgica, que envolve missas e celebrações, orações, Eucaristia etc; e a chamada “função real”: fazer trabalhos concretos pela humanidade (leia-se: ações sociais).

Toda essa introdução para pensarmos (ou talvez não) apenas o último item das funções. A função real.

Já fui coroinha, eu e a Paloma Bernardi. Dizem que o Faustão também foi. Depois disso, fui coordenador do mesmo grupo. Hoje, de fora, o que vejo é que as crianças de 10 anos que cumprem a função são mais responsáveis do que os próprios coordenadores de Pastoral de Coroinhas.

Na última semana santa, estava eu aguardando o início de uma missa, quando, faltando 10 minutos, reparei crianças inquietas esperando a chegada de algum responsável pela Pastoral. Vou ajudar – pensei. Falei com o padre e com um seminarista que auxilia a formação dos coroinhas e fui autorizado a pegar a chave da sala na qual são guardadas as túnicas (vestes vermelhas e brancas, que os pequenos usam durante celebrações) e encarregado de organizá-los, já que “ninguém chegou”.

Fiz o que foi pedido. Mas não foi necessário organizar os coroinhas. A coordenadora chegou três minutos antes do início da tal missa. E reclamou com o secretário paroquial, que me passou o recado: “Você não pode pegar a chave, nem organizar os moleques, porque ela disse que você não tem o direito de fazer isso”.

Imagino que eu não tenha o direito mesmo. Afinal, nem participo mais do grupo. O que acontece, entretanto, quando a pessoa responsável não cumpre com a sua responsabilidade? É fácil mandar que crianças e pré-adolescentes cheguem ao compromisso meia hora antes, quando quem manda pode chegar na hora que quiser, sem sequer dar uma satisfação ou pedir que outra pessoa substitua.

Não contente…

Não feliz em dizer por aí que eu estava querendo passar por cima da autoridade dela, durante a missa, falou para as crianças que eu ficava andando de um lado para outro para não assistir à missa, que eu era um irresponsável e baderneiro.

As próprias crianças relataram.

Talvez ela não saiba que eu, além de tudo, estava fotografando todas as missas da semana santa para o site e o boletim informativo daquela igreja. Ou talvez ela não goste de mim.

Cena contraditória

Cansei de ver reuniões em que cada agente de pastoral deveria levar um prato de doce, ou de salgado, ou uma garrafa de refrigerante.

Sempre reclamei que os coordenadores levam para casa o que sobra, dividindo entre si apenas, e não com todos os participantes. Uai, onde está a caridade? Aliás, onde está o bom senso?

Num final de encontro como esses, vi que um coordenador carregava uma pilha de doces e salgados num pote que ele trouxera de casa. Ao atravessar a rua, crianças que pediam comida na feira livre (isso foi aqui no bairro, portanto num sábado) disseram: “Tio, dá alguma coisa pra eu comer?”. E com a maior sem-vergonhice do mundo, com um pote cheio de salgados e doces, a pessoa respondeu: “Não tenho nada”.

“Amai-vos uns aos outros”, mas só quando todo mundo está vendo, não é?

Mudando de assunto…

Virada Cultural: Neste final de semana, o evento cultural terá grandes nomes do meio artístico nacional, como Guilherme Arantes, Ângela Maria e Cauby Peixoto, Os Mutantes, Leci Brandão, Titãs, Jair Rodrigues, Gilberto Gil. E um palco todo na São João em homenagem a Elis Regina. Tinoco também participaria, mas o show foi cancelado por motivos bem conhecidos. Muitos dizem que não vão participar, porque a qualidade de espetáculos é ruim. Aposto que se as apresentações fossem pagas, as pessoas reclamariam que os ingressos eram limitados.

Cachoeira: Se nos EUA houve o Watergate, por aqui temos um diferente, o Waterfallgate. E a Folha diz que PT e PMDB apoiam que a vice-presidência da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito seja do senador e ex-presidente Fernando Affonso Collor de Mello (PTB). Em épocas de mexidas na poupança, é duro lembrar que, em 1989, ele pediu tanto “um não à bandeira vermelha”. (E acabou vecendo…)

Vou de táxi: A situação do transporte público em São Paulo é cada vez mais preocupante. O preço alto não corresponde à qualidade do serviço oferecido. Na zona norte, a linha 178Y, que sai da Vila Amélia e vai até o metrô Jardim São Paulo/Ayrton Senna, um dos carros está sem proteção no sistema de portas (foto). Em horário de pico, pessoas mais altas que ficam em pé (e apertadas) podem bater a cabeça – ou outra parte do corpo – nesse, digamos, “motor”, e possivelmente se machucarem.

Dica musical: Rita Lee lançou neste ano o álbum “Reza”. Tem 14 músicas e custa, em média, R$ 30. Com as típicas músicas para dar risadas, o trabalho é lançado depois de 9 anos sem novidades. E, bem, a vida é uma sinuca, mais Rita confia no seu taco. Mas seu borogodó, neste disco, não é do balacobaco.

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