Livro de família (parte 3)


Alianças

Roberto dos Santos era vizinho de Julia, e muito amigo da irmã mais nova dela, Isabel. Santista fanático, ele tinha como ídolos Pelé e os Beatles. “Alto, magro, bonito, bagunceiro, tinha cabelo até o ombro e estava sempre na moda” e conquistou Julia quando ela tinha 21 anos (e ele 22).

Em 1978, um ano depois de se conhecerem, noivaram, e casaram na Igreja Nossa Senhora Auxiliadora, no bairro onde viviam.

Para o casamento, Julia quis um vestido exclusivo: foi à famosa rua das noivas e não encontrou nada que a agradasse. Então, humildemente, ordenou que um estilista fizesse um enxoval só para ela. E assim foi feito. “O meu vestido era lindo, branco com florezinhas rosas e um véu muito, muito grande.”

À majestosa igreja, de seu estilo antigo e conservador, a noiva chegou com o carro do ano: um Chevette. Mas um Chevette amarelo. E entrou ao som da triunfante Marcha Nupcial. Ao final, Assadur, cantor lírico grego amigo da família, cantou a “Ave Maria” de Gounod. A festa foi num salão ao lado de onde morava. E a lua-de-mel, no Rio de Janeiro. “Sei lá se com aqueles deslizamentos de tempos atrás o hotel continua inteiro…”

Um ano depois, José Iglesias, pai de Julia, teve um derrame e morreu, ao lado da esposa, sem ter conhecido os netos que viriam.

Julia e Roberto completaram, em 2011, 33 anos de união na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença: ela quem está cuidando do marido, vítima de câncer no pulmão.

Em 1981, nascia a primeira filha de Julia, Fernanda. Ela não avisou ao marido que estava com contrações, já que Roberto ia viajar no mesmo dia, para realizar um trabalho. Ele descobriu na hora, e voltou correndo.

Foi um período de vida muito próspero, conta. Chegaram a morar numa casa, alugada, de quatro andares. A casa foi vendida e, com a ajuda dos pais de Roberto, em 1994, o casal comprou um apartamento na parte alta do bairro do Mandaqui.

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Livro de família

Em comemoração ao dia das mães, o Reticência Jornalística publica em maio uma série de cinco textos que formam um perfil da mãe do autor do blog.

Parte 1: 10 de maio de 2012 – Marcas de meio século / Sangue espanhol

Parte 2: 15 de maio de 2012 – Lembranças infantis

Parte 3: 20 de maio de 2012 – Alianças

Parte 4: 25 de maio de 2012 – As dificuldades

Parte 5: 31 de maio de 2012 – A vontade de ajudar

Agradecimentos

Ao jornalista Claudio Julio Tognolli, pelas críticas e sugestões. À Amanda Rolim de Souza, amiga que ouve todas as minhas ideias. E à minha mãe, claro, que resolveu contar essa história que agora relato para vocês.

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5 comentários em “Livro de família (parte 3)

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