Santa padroeira


Outro dia, avisei que nesta semana não haveria post no blog.

Eis, pois, que levantou as mãos ao céu a “primeira-dama da televisão brasileira”.

Como ela mesmo dizia, não se pode levantar as mãos para o céu, porque Deus puxa.

Deus a puxou. Hebe Camargo, a – perdão pelo uso do clichê – história viva da televisão no Brasil, foi dar um selinho em Jesus.

Em 18 de setembro de 1950, a TV na Taba entrava no ar. A lenda diz que Assis Chateaubriand, o Chatô (ou chato mesmo), que tinha duas câmeras, resolveu inaugurar a televisão como se faz com os navios: quebrando uma garrafa de champanhe. No casco do navio. No caso, no “casco” da câmera. E, evidente, a câmera quebrou.

Hebe não viu isso acontecer.

Primeiro porque a cena narrada acima, apesar de bem conhecida, é falsa.

Mas também porque Hebe faltou à primeira transmissão da TV brasileira, para acompanhar um namorado em outro evento. Você sabia disso? Não? Nem eu. Descobri agora. E ainda não acredito. Lolita Rodrigues foi quem a substituiu.

Hebe, madrinha do Teleton, uma das poucas campanhas que me emocionam com suas histórias, tornou-se uma das maiores apresentadoras e entrevistadoras da tela, contudo.

Numa época não tão distante, saiu do SBT, foi para a RedeTV!. Na última quinta-feira, voltou para o SBT. Silvio Santos está com o coração feliz, imagine o remorso que sentiria se ela partisse sem voltar à sua casa (aqui, o “sua casa” numa função ambígua proposital).

Ela voltou para o SBT, para morrer feliz da vida na TV mais feliz do Brasil.

Para quem, como eu, se inclui no meio da comunicação social, Hebe Maria Monteiro de Camargo Ravagnani, nascida no dia internacional da mulher, é uma profissional fascinante. E, como o Corinthians para o poeta e jornalista Menotti Del Picchia, é um fenômeno sociológico a ser estudado em profundidade.

Aliás, você já viu a Hebe triste? Existe alguma foto em que ela não está com aquele sorriso imenso. E que contagiava a mim e, quem sabe, você. Na quarta-feira que passou, Olga Bongiovanni disse em palestra que “o apresentador entra na casa das pessoas, elas se sentem íntimas, amigas da gente, e isso é muito forte, isso é muito interessante”. E é assim, de fato.

Não é possível deixar de dedicar espaço neste blog a uma pessoa cujo trabalho acompanhei desde pequeno. E minha mãe dizia: “Quando você era pequeno, sonhava em dar um presente para a Hebe”.

Como eu não sou o Silvio Santos, que pôde dar e deu um beijo na boca da Hebe já sem vida, o Reticência Jornalística, hoje, dá a Hebe Camargo um título.

A santa padroeira das entrevistas.

Rogai por nós. Amém.

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