Dias bons e dias ruins


De repente, é aquela corrente pra frente. Parece que todo Brasil deu a mão. Todos ligados na mesma emoção, tudo é um só coração. Menos no que se refere (abraço, Dilmão) à eleição.

Domingo é dia de pleito, ainda que o brasileiro o prefira sem o “l”. E, em São Paulo, estamos mal, mal das pernas, mal de candidatos, mal de educação, saúde e com excesso de candidatos que participaram da polícia violenta da capital. Inclusive, falei sobre isso num outro texto. É relevante dizer que o repórter da Folha André Caramante, que estava sendo ameaçado por seguidores do candidato a vereador pelo PSDB Coronel Telhada, foi afastado da redação.

A Rede Globo de tevê cancelou seu debate, que seria realizado ontem (4 de outubro). Por que o Russomanno não queria participar? Não tanto por isso, mas porque só queria que seis dos oito prefeituráveis aptos ao programa. Deve participar dos debates qualquer candidato que tenha representação na Câmara dos Deputados.

A emissora de TV, então, queria dar um pé na bunda de Levy Fidelix, cujo partido – o PRTB – tem um deputado. Na última pesquisa Datafolha, o homem do aerotrem somou 1% das intenções de voto. O mesmo aconteceria com Carlos Giannazi, do PSOL, que tem a mesma porcentagem.

Todos sabem da irrelevância teórica dos partidos menores. É função da democracia, porém, abrir espaço para todos. Caso contrário, não poderíamos reclamar da falta de liberdade de expressão ou de imprensa, como tanto fazemos. Acontece que, como diria George Orwell, todos somos iguais, mas alguns são mais iguais que os outros. Logo, eis a razão por que são desprezados. Democracia, a gente troca de canal em você.

Abrindo o leque que seria utilizado no debate, digo, dobrando esse leque dos seis desejados da TV Globinho, temos doze, doze postulantes ao assento mais macio do prédio que fica ali no centro.

Na dianteira das pesquisas desde o início está Celso Russomanno. “Foi Maluf quem fez”, diria alguém. O candidato é do partido da Igreja Universal. Tenta mostrar que são poucos no PRB que são ligados à Igreja. Mas esses poucos são os que mandam. Ele quer criar a tarifa proporcional, “estabelecendo valor mínimo e máximo ao usuário do sistema de transporte de ônibus, onde será pago apenas o percurso utilizado”. Ninguém entendeu muito bem como ele quer fazer isso, já que ele quer falar apenas de São Paulo, mas não compareceu a alguns tantos debates.

Edir Macedo, “dono” da Rede Record de Televisão e da Igreja Universal do Reino de Deus (sim, a igreja tem dono), que se mostra preconceituoso em seus discursos contra ações como o kit gay (veja aqui), faz a declaração que confirma o que foi dito no parágrafo anterior: “O PRB, partido de Russomanno, tem em seus cargos de direção verdadeiros homens de Deus”.

Em seu blog, o bispo protesta: “Me recuso a participar deste jogo onde os dados lançados por homens inteiramente sem compromisso com o certo, o justo, o verdadeiro, movem os ‘peões’ que eles pensam que somos neste tabuleiro de cartas sempre marcadas”. Mas Russomanno não disse que é advogado sem ter OAB? Não disse que é jornalista sem ter diploma (e ele é da época em que havia obrigatoriedade)? Cadê o compromisso?

E cadê a responsabilidade do líder religioso em interferir na visão política dos fiéis?

Mudando de partido e candidato, chegamos ao PSDB de José Serra. E eu digo, com toda a certeza: a maneira mais fácil de ser prefeito é entrar como vice na chapa do Serra. Alexandre Schneider, ouça bem o que eu digo. A propósito, as propostas do Zé são as mesmas desde que eu me lembro por gente. Porque ele abandona o cargo e não as cumpre.

Fernando Haddad é um candidato que gosta de governar, ele mesmo diz. Ainda que não tenha governado nada. Talvez seja mais um personagem criado pelo doutor Lula, que mexeu alguns dedinhos, nove para ser exato, para que isso acontecesse. Até Marta Suplicy conquistou uma boa – o Ministério da Cultura – nessa brincadeira.

Chalita e Giannazi são os caras do mimimi da educação. Chalita foi secretário de estado, Giannazi foi diretor de escola. Este, com tamanha calma, devia “levar umas apavoradas” dos alunos. Aquele, católico, é louco pelas ideias de escola integral. Chalita, meu colega, a rede pública não tem nem professores para a quantidade de aulas atuais, quem dirá para o período integral.

Mas nada se compara a Levy Fidelix, que pretende deslocar a rodoviária do Tietê, a CEAGESP (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo) e o aeroporto – eu disse aeroporto – para perto do rodoanel.

O texto está ficando cansativo para quem escreve, imagine para quem lê. E ainda falta falar de Miguel (ô, o Miguel chegô, ô), da Soninha, da Anaí Caproni, da Ana Luiza, do Paulinho da Força e do clássico Ey Ey Eymael. Mas não farei isso.

O que foi dito até aqui já é o suficiente para mostrar que a melhor opção, nestas eleições, é pular do terraço do Circolo Italiano. Porque isso faz parte, na explicação de Donald Rumsfeld, ex-secretário de Defesa dos Estados Unidos, você tem dias bons e dias ruins. “No caminho da democracia este é um momento, e teremos outros momentos. E serão bons momentos e momentos não tão bons.”

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2 comentários em “Dias bons e dias ruins

  1. Desculpa, mas concordo com Chalita em relação aos estudos. Escola tem que ser integral. Acho um jeito eficaz para ocupar os jovens e assim diminuir a criminalidade. Acho que o Chalita é o novo que SP precisa.

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  2. É Rafael, você tem, digamos, ideias arejadas.
    O colapso da política brasileira é tamanho, que sinto saudade dos tempos de governo militar, apesar de não ter sido a oitava maravilha, mas era bem melhor que hoje em termos de educação, em termos de segurança, em termos de paz.
    Escola em período integral é o ideal e é possível, bastasse o governo fazer com as escolas o que é feito com o SENAI, ou seja, convenio com a iniciativa privada, com as empresas, com quem sabe trabalhar.
    Gostei da ideia do Russomano de fazer os valores das passagens serem proporcionais, pois todos sabemos que os mais pobres moram nas periferias e seriam eles a pagarem valores maiores, uma verdadeira ideia de gênio.
    Eu hoje faço campanha para o Levy Fidelix, simplesmente por sua coragem de peitar a Poderosa Rede Globo, tenho certeza que Serra e Haddad fariam um acordo qualquer para não deixar os Marinhos tristinhos.
    A Soninha queria vender maconha nos bares, seria a prefeita recordista em arrecadação de impostos, apenas por vender este ilustríssimo item, defendido com unhas e dentes por um pessoal de humanas da USP.
    Pular do terraço do Circolo Italiano? Só pra depois ficar esperando atendimento pelo SUS? Cansa só de pensar.
    Os demais, nem vou comentar, não vale a pena.
    Seu texto não ficou cansativo, pelo contrário, ficou bem interessante.
    Um grande abraço

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