Wind of change


You can see the wind”, disse ontem um repórter da rede americana CNN. Enquanto ele estava no meio de uma rua alagada, tentando se manter em pé no meio dos ventos de 150km/h de Sandy, o furacão rebaixado, a cidade de São Paulo, como Nova Jersey, também conseguia ver o vento, só que o wind era o of change, como na música dos Scorpions.

O dedo perdido de Lula tem poder. Dilma, a dona Rousseff, levou uma cutucada do cotoco. Agora, Haddad, Fernando como Collor e Henrique, também sente o poder do cotoco de ouro.

E, agora, José, que é sem nome, que zomba dos outros, que faz versos, ama e protesta, que viu o povo sumir e a noite esfriar, está sem carinho e está sem discurso.

Fernando Haddad (PT) teve o voto de 56% do eleitorado, enquanto José Serra (PSDB) ficou com os 44% restantes. Esse é o valor dos votos válidos, ou seja, são descartadas as somas de brancos, roxos, amarelos, azuis e nulos. Estes totalizaram 12% do total do eleitorado, que chega a exatamente 8.619.170 pessoas. Na cidade de São Paulo, ainda, 20% desses milhões e milhares não foram votar. Os valores foram “arredondados” para facilitar a sua leitura e a minha escrita.

Em 2008, Gilberto Kassab (então no DEM) teve 61% dos votos no segundo turno, contra os 39% de Marta Suplicy (PT). Houve abstenção de 17% do eleitorado. Em 2004, Serra derrotou por 55% a 45% a candidata a reeleição Marta, que havia vencido Paulo Maluf (PP), em 2000, por 59% a 41%.

Esses números das quatro últimas eleições servem para mostrar que o paulistano adora mudar de prefeito, assim como adora mudar de carro ou de celular. Gilberto Kassab foi reeleito em 2008, mas como se sabe ele foi eleito como vice do Serra, que abandonou o cargo para ser governador. Tenho para mim que o eleitor não se importa com o vice, a menos que ele seja um nome forte ou bizarro, como seria – na opção de força – a ex-prefeita Luiza Erundina (ex-PT, agora no PSB) para Haddad.

Nádia (PC do B), apesar do sobrenome Campeão, será vice – pelo menos pelos próximos anos.

Depois dessa exposição inútil, é preciso reclamar na infantilidade como os eleitores do derrotado agem nas redes sociais. Se é que se pode dizer que alguém age dentro da rede social. Parece que todos os meus mais de 800 amigos e conhecidos que estão no Facebook odeiam o PT de Haddad – o motivo é o unicamente o mensalão. Dias antes, todos odiavam o Serra e a vida eterna do partido da ave  no estado de São Paulo.

Sobrou até para o ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa, o Clark Kent do Direito e petista assumido: imagens com frases como se ele culpasse o eleitor de Haddad pela sujeira existente na política. Pois, ora, o PSDB do Serra é tão limpo assim? E o PMDB? E o DEM, então?

Não vi ninguém falar sobre Paulo Preto e a Privataria Tucana nos últimos dias.

Mas o mensalão, inclusive, serviu para alguns colegas do Jornalismo levarem alguns socos e tapas durante a votação de Genoino, condenado na ação. Bater em jornalista é fácil, para reclamar com os ministros ninguém tem colhões. Isso sem dizer que, se existe crime, precisa haver punição. Independentemente do partido.

Afinal, há criminosos em todos os lugares.

Parece que o brasileiro não está preparado para a democracia. Ouvi de um militante do PT que “é preciso acabar com a oposição, só assim o país será decente”. Não, filhão! No dia em que acabar a oposição, estaremos na lama, como na época da Ditadura. Precisamos do Corinthians jogando contra o Palmeiras até o fim do mundo. O ditado diz: uma andorinha só não faz verão.

Fernando Haddad foi eleito e eu estou feliz com isso. Se José Serra fosse eleito, eu também estaria feliz. Não porque eu gosto deles, não gosto de ninguém. Mas porque o eleito foi escolhido pela maioria. Essa é a grande beleza de escolherem o vilão ou o mocinho: o poder da escolha propriamente dito. Nada nos é imposto (ainda que o PSDB não escolha alguém além de Serra e que o Haddad tenha sido candidato porque o Lula mandou).

Aliás, Haddad disse que não imagina que o PSD do prefeito Kassab faça oposição na cidade. Uma crítica com glúten cabe aqui. O que um partido que, como Agnaldo Timóteo, não é assumido nem desassumido, e que também não é de direita, nem de esquerda, nem de centro? Só pode ser oportunista. O PMDB, aquela pizza de dois sabores, também cabe aqui.

Viver a democracia é apoiar o governo quando escolhido, porque o futuro do nosso lugar está nas mãos – em parte – dele. Viver a democracia é criticar o governo quando necessário.

Porque não queremos ser oprimidos novamente. O poder, afinal, é nosso, só nos esquecemos de como devemos usá-lo. Quem tirou Collor do poder e quem o recolocou lá? Quem foi que quis escolher os representantes nas Diretas Já?

O brasileiro precisa deixar de ser criança dentro da política. Enquanto isso, os governantes se aproveitam da gente.

Que o novo prefeito tenha sorte e competência. Se tiver, o vento não vai mudar; se não tiver, teremos o wind of change de novo. E continuaremos assim até encontrar alguma coisa boa. O que, sinceramente, é muito difícil.

E Haddad, se cuide, porque nós estamos de olho em você. Ainda que no modo Xuxa no mundo da imaginação. Mas “the children of tomorrow dream away in the wind of change”.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s