Sem pé nem cabeça


Chefe é igual à caganeira: você já teve, tem ou vai ter. “E não adianta discutir, nem com os problemas, nem com a caganeira. O melhor a se fazer é sentar e esperar o problema passar”, disse o publicitário e humorista José Luiz Martins antes de falar o nome de todos os chefes que teve em sua vida, mais de três dezenas.

Martins apresentou o show de stand-up comedy CNPJ (Comédia Nacional em Pessoa Jurídica) para os comunicadores que participaram do VI Ciclo de Comunicação Social realizado pelo Comando Militar do Sudeste.

Como publicitário, ele recebeu um Leão, do Festival de Publicidade de Cannes, além de outros prêmios, como o do One Show, o do Festival de Londres e o prêmio Clio.

É preciso puxar o saco do chefe, para ele, pois assim você pode se estabilizar na empresa. “Você nunca vai ser Jesus Cristo, mas, pelo menos, em todo final de ano você estará sempre lá, em todos os presépios.”

Se for preciso mentir para o chefe para agradá-lo, faça isso: “Não é vergonha ser enganador, vergonha é ser otário”.

E não adianta andar com o nariz empinado para os colegas, porque “andar com o nariz empinado não serve para nada, só para mostrar o seu ranho”. Daí o motivo de todo sucesso profissional de uma pessoa depender da palavra “merda”: que merda, puta merda, seu merda, vá à merda, dane-se essa merda. “Todo mundo faz merda, tenha medo de quem não faz.”

Mas antes ser empregado do que chefe. “Contratar alguém é escolher o menos pior”, e, depois disso, ainda é preciso motivar os funcionários. Motivar homens e mulheres. “Isso é complicado, porque todo homem é bobo e toda mulher é chata.”

“E ainda tem os fracassados”, que, na visão dele, não devem se misturar com os bem-sucedidos. “É tortura” conviver com alguém melhor do que você. “Fracassados têm que andar com os seus semelhantes, para não sofrer.”

Deficiente, Zé Luiz diz que é preciso trocar o olhar da autoajuda pelo olhar do humor. “Se for uma merda, pelo menos você vai dar boas risadas.”

Seu humor ácido já teve consequências negativas com o público, como quando ele falou sobre os jogos paraolímpicos. “Antes era Paraolimpíada, agora é Paralimpíada. Amputaram o ‘o’.” Segundo ele, esse preconceito surge da pessoa que repercute o assunto, afinal, houve a queda de uma letra. “Depois, quando a pessoa descobre que eu sou deficiente, nem liga, ou critica.”

Para Martins, que foi influenciado por Bill Cosby, o politicamente correto que está tomando conta da sociedade e atingindo também o humor, é um problema de preguiça mental, já que as pessoas pegam quaisquer coisas, juntam com outras e jogam tudo no mesmo saco, sem separar o lixo. “As pessoas mais intransigentes são as mais infantis e burras.”

Em sua carreira como profissional de comunicação, José Luiz Martins, apesar do senso de humor escrachado, sempre preferiu a produção feita de maneira árdua. E dá a dica: “Você não vai ter uma ideia criativa da noite para o dia se você não passar a noite inteira procurando por ela”.

Sem maquiagem, sem personagens e com uma muleta, Zé Luiz está em cartaz com o radialista Bernardo Veloso, que foi roteirista do site Humortadela e agora trabalha na rádio Energia 97. O show se chama “Sem pé nem cabeça”. “Eu sou o sem pé, vocês podem perceber”, ironiza Martins.

Zé Luiz não gosta quando dizem que ele é preconceituoso, pois não considera seu humor ofensivo. “Eu não tenho vergonha de ser deficiente, por isso eu brinco.”

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