Moda da preguiça


adolescente-dormindo-na-aulaEm estatística, os valores mais frequentes num conjunto de dados se chamam moda. Todos os estudantes deveriam saber disso, mas o que é mais frequente no meio universitário é, entretanto, a moda de deixar os trabalhos para a última hora.

Gabriela Assis fecha o livro “Hollywood em outras línguas”, de João Batista de Brito, que fala sobre a tradução de títulos de filmes e seus problemas. Sentando-se a uma escrivaninha, tenta se explicar: “Os estudantes deixam para a última hora porque estão sempre correndo contra o tempo, trabalhando… E só conseguem fazer esses trabalhos quando não tem mais escapatória, já que precisam ser entregues”. Aos 19 anos, ela faz o curso de graduação para Tradutor e Intérprete, na Uninove.

Para ela, quando se faz trabalhos em cima da data de entrega, as chances de eles ficarem ruim são grandes, muito grandes, já que não há tempo para pesquisar um conteúdo melhor, ou simplesmente encontrar erros no que foi feito.

Segundo a estudante de Letras pela Universidade Federal do Espírito Santo e ex-professora de inglês do Sesi Thainá Rocha, 19 anos, “os alunos sempre acham que o professor é trouxa e o trabalho feito às pressas sempre é ruim, só que o professor nunca é trouxa e o trabalho nem sempre é ruim”, por isso, no meio acadêmico, todo mundo engana todo mundo.

Capixaba, Thainá também estuda Direito, na faculdade Estácio de Sá. O que faz pensar que ela não é uma pessoa normal – e ela própria sabe disso.

A única moda lá no Espírito Santo, como em qualquer lugar no mundo, é essa de deixar os trabalhos para a última hora, além de frequentar os “rocks”, maneira como chamam as baladas naquela região.

Não muito diferente acontece em São Carlos, interior de São Paulo. Mas em vez de frequentar rocks, os estudantes preferem caçar capivaras.

Marcelo Azevedo, de 23 anos, que cursa Ciências da Computação na universidade federal dessa cidade, afirma, por experiência, que na faculdade, você perde a cobrança dos pais, que existia até o ensino médio, “aí você fica mais relaxado e a tendência é só fazer as coisas quando não dá mais tempo”.

Pontos positivos, contudo, também são assinalados. “Se fizer correndo, logo no primeiro dia e esquecer o trabalho até a data de entrega, prejudica, pois da mesma forma, se perde a chance de descobrir erros, ou acrescentar mais coisas, dependendo do trabalho”, analisa Gabriela, para quem tudo isso tira a chance do aluno realmente aprender com a pesquisa. A preguiça, então, serve para alguma coisa, quando em doses homeopáticas.

Mas, para Marcelo, essa moda (ou mania) é passageira: “Essa preguiça e a falta de compromisso vão embora depois que você se ferra pela primeira vez”.

Sim, vão embora. “E depois de uns três meses, voltam…”

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