Carrossel universitário


img-401435-os-looks-da-professora-helena-rosanne-mulhollandEu já me cansei de dizer isso. Mas veja bem. A professora Helena é magrinha, delicada, boazinha, legal, doce, tímida, não grita, fala manso, faz tudo o que os alunos querem e fica fora da sala de aula o tempo todo. Eis aí o motivo pelo qual as crianças gostam tanto dela.

Tudo bem que elas estão no terceiro ano do ensino fundamental. Tudo bem, também, que é assim no terceiro ano do ensino médio. Tudo bem, também – e de novo –, que é assim no terceiro ano do ensino superior. Os tipos de professores amados e idolatrados – salve, salve – é o mesmo.

Por isso, quando a gente embarca nesse carrossel, todo mundo faz de conta que a faculdade é quase a escolinha. Aliás, uma nota mental: no fundamental, as crianças vivem entre duendes e fadas (ah, a imaginação); no superior, os jovens vivem entre duendes e fadas (ah, as… bem, esqueça).

E quando os professores saem, as crianças – adolescentes e, principalmente, adultos – fazem a festa. A diferença é que a Helena passa grande parte do tempo resolvendo problemas com os pais dos alunos, vez em quando sai para conversar com outros professores. Que é o que fazem os professores comuns.

O carrossel universitário é formado por uma reitora que ninguém conhece direito, mas todos temem. Sem razão útil aparente.

Os alunos demoram horas para chegar à sala de aula, não fazem as “lições de casa”, nem trabalhos, e reclamam que os professores são ruins.

Gritam o tempo todo. Só falta, mesmo, para ficar igual à novela, colocar um sapo no piano. Mas na faculdade não tem piano. Com grande dificuldade, conseguem reservar o projetor para as aulas…

No Carrossel, a escola tem um velhinho que cuida das crianças e uma faxineira, que faz tudo – inclusive, limpa –, na faculdade, o velhinho é o professor mitológico e a faxineira, não tem. Pelo menos uma olhada no banheiro conduz a essa conclusão.

O sabonete da propaganda inserida na novela, então, nem é preciso dizer que passa longe dos centros universitários…

O interessante é a caracterização dos personagens reais na ficção. Veja bem, sempre tem uma menina preconceituosa na sala (se lembra daquela estudante de Direito que ofendeu nordestinos no Twitter?). Gordos burros (esse sou eu), meninas românticas, bagunceiros, inteligentes, barraqueiras, gente do interior e do exterior.

Engraçado como tudo está mesmo na realidade. Só falta um japonês ruivo. Porque isso é uma coisa que não se vê todos os dias.

Melhor e mais divertido ainda – pelo menos para os alunos – é o fato de que os professores se odeiam. Vede Helena e Suzana. Os mestres e doutores amam falar mal dos outros, direta ou indiretamente. Pode perguntar para qualquer estudante.

Só que o que dá mais pano para o cão chupando manga é aquele professor que parece gostar daquela professora e sempre a elogia. E quando estão no mesmo corredor, nem se olham na cara.

Por isso que a gente diz para embarcar nesse carrossel. O mundo acadêmico é faz de conta, pensam que a terra é quase o céu. Chupa essa, Girafales.

Em tempo: acabaram as gravações da novela no cenário da escola, ou seja, professora Helena está desempregada – quem sabe ela não consegue um bico com essa personagem numa novela do Manoel Carlos – e a Lívia Andrade volta para os braços do tio Silvio. É a pipa do vovô começando o ano de 2013.

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