Papa para


papa_bento16_rosto2Sabe esses dias em que você acorda de ressaca, muito louco, doidão, e fica sabendo da renúncia do papa ao ligar a televisão?

É o dia em que a divisão de ideologias tomou conta do Vaticano, assim. Antes e durante o papado foi pressão até o fim.

A galera das outras igrejas, enquanto isso, zoa, e aproveitam vinho e hóstia e dizimista boa. O próximo conclave acontece num esquema sério, porque rolou um “Papa, para”.

Na verdade, imaginei a versão teológica de um MC, o Mr. Cardeal. Até porque qualquer um (e aqui falo das pessoas boas) dentro da igreja ficaria maluco com uma notícia desse tipo.

Para quem estava no carnaval e não sabe absolutamente nada do que aconteceu no universo nesses dias de pseudofolia, vamos lembrar o caso: numa bela segunda-feira, o papa acordou com o sapato vermelho virado e ficou um pouco mal-humorado. Por isso, convocou uma reunião com a patota de chapéus rubros e anunciou sua renúncia.

O papa que é alemão, mas sobrevive falando aos fiéis em italiano, resolveu mostrar como é inteligente em línguas e fez o seu anúncio em latim. E a Mônica, que fazia medicina, falava alemão, e o Eduardo aí, ainda nas aulinhas de inglês.

No discurso, Bentinho disse aos queridíssimos irmãos que a convocação ao consistório (significado: local em que o papa preside assembleias com os cardeais) era para comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja Católica. “Após ter examinado perante Deus reiteradamente minha consciência, cheguei à certeza de que, pela idade avançada, já não tenho forças para exercer adequadamente o ministério petrino (significado: papado).” Interessante como um alemão, dado o histórico, pode ser tão humilde a ponto de reconhecer isso.

Um cardeal polonês, Stanislaw Dziwisz, disse que não se deve descer da cruz e deu uma cutucada no Bentinho pelo Facebook do confessionário. Eu diria que isso é uma imensa falta de ética e de respeito com o líder – e, de fato, é mesmo. Esse cardeal pode ser eleito papa, espero que não. Porque, afinal, se ele fala assim do próprio chefe da igreja, imagine o que não faria com o restante dos fiéis.

O que dá margem para comparações é o fato de João Paulo II, digno de ser chamado santo, morreu à frente da igreja com aquele monte de doenças que tinha e sempre pediu forças para continuar, mesmo sem forças. Em 2002, três anos antes de morrer, JP rogou, em uma missa: “Nossa Senhora do Calvário, dai-me forças físicas e espirituais para que eu leve até o fim a missão a mim confiada por Cristo ressuscitado”.

Acontece que as pessoas não são iguais. E essa é a grande virtude da humanidade. Pedro, o santo e primeiro papa, negou Jesus três vezes. E mesmo assim foi com ele que começou a construção concreta da igreja. Até agora, só Gregório XII havia renunciado ao papado, em 1415, quando ele ficou com os colhões cheios. Na época também havia o cargo de antipapa (curiosidade dispensável).

“Sou muito consciente que este ministério, por sua natureza espiritual, deve ser realizado não unicamente com obras e palavras, mas também e em não menor grau sofrendo e rezando”, disse Bento XVI. Destaquei isso para que vejam que o sofrimento faz parte na própria visão do líder católico, que deixa o cargo no final deste mês.

Habemus papam – só que não

Bentinho deixou um grande espaço até o próximo conclave. Quase um mês, digamos. Isso vai servir para os caciques guerreiros prepararem os seus postes políticos para a sucessão.

Óbvio que os europeus são os favoritos, mas é possível destacar o cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, que, dizem por aí, é o principal candidato da América Latina. A nossa área tem quase 50% dos católicos do mundo. Dom Odilo, que conheço desde os meus 9 anos e com quem já conversei diversas vezes, é uma pessoa maravilhosa. “É muita pretensão dizer que se está preparado para ser papa”, disse ele numa coletiva, durante a semana.

A eleição para papa é um mistérios mais interessantes da humanidade. Nesta edição, que começa na metade de março, vão participar 117 cardeais. Desses, 50 já participaram no conclave de 2005, para sucessão de João Paulo II, que elegeu Bento XVI. Os demais foram promovidos pelo próprio Bentinho. Quem tem menos de 80 anos é papável. Digo, não como os bichinhos do PacMan, mas como presidenciável ou prefeiturável.

Todos os padres ficam trancados com milhões de chaves, sem contato com o mundo. Nos papeizinhos de votação, eles escrevem o nome do indicado depois da frase “Eligo in Summum Pontificem”, que, em tradução livre, significa “elejo como Sumo Pontífice”.

As cédulas são dobradas e levadas ao altar, onde três companheiros cardeais, sorteados, contam tudo e conferem. Se ninguém ganhar, os votos são queimados com produtos que deixam a fumaça preta. Se um papa for eleito, a fumaça é branca e a frase é aquela famosa “Habemus papam” (temos um papa).

Ainda, há a pergunta: “Acceptasne eletionem de te canonice factam in Summum Pontificem?” (aceitas a tua eleição, canonicamente feita, para Sumo Pontífice?). O eleito pode ou não aceitar. Se aceitar, ele escolhe o nome pelo qual deseja ser chamado durante o papado.

Malas: o quias e os cabados

São Malaquias, que previu a data da própria morte e outras coisas mais, disse que o próximo papa será o último da história e que adotará o nome de Pedro II.

Nenhum papa, até hoje, assumiu o nome de Pedro por respeito ao santo e primeiro papa da Igreja Católica. Vamos ver se isso pode mudar.

O santo diz assim: “Na perseguição final à sagrada Igreja Romana reinará Pedro Romano, que alimentará o seu rebanho entre muitas turbulências, sendo que então, a cidade das sete colinas será destruída e o formidável juíz julgará o seu povo. Fim”.

Não sei até onde isso aí vai chegar, mas se o próximo papa assumir o nome de Pedro II, estaremos com muitas tangas para fazer nossas necessidades fisiológicas. E vamos dizer: “Vida longa ao papa”. Porque, né…

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