Desordem do advogado


advogadoQuarta-feira, 20 de março de 2013. O temperatura não estava baixa, mas ventava um vento frio. Eu poderia, como Pablo Neruda, ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela. Porque o verso cai na alma como no pasto o orvalho. Só que não.

Saia da redação, no centro de São Paulo, quando uma manifestação pelos diretos humanos fazia barulho pela rua Líbero Badaró, saindo da frente da prefeitura. Em Brasília, 19 horas. Enquanto a voz do Brasil tagarelava, eu corria para a estação Anhangabaú do metrô.

Foi passar o cartão e aquela outra voz, a do além, avisar que o acesso seria restrito à plataforma, porque aquela desgraça estava lotada de gente. E olha que eu ocupo o espaço de duas pessoas. Tudo bem.

Só que me deu uns “cinco minutos” e eu resolvi ir para a linha amarela e depois para a linha azul – evitando a estação da Sé. Eu seguia feliz e alegre, como um anão de quase dois metros de altura, cantando que eu ia, eu ia para casa, agora, eu ia.

Terminal Luz, desembarque pelo lado direito do trem.

Quando estava “entrando” na escada rolante, um homem — de terno azul e gravata vermelha, como manda a combinação — bateu com o braço em mim e falou: “Dá licença que eu sou advogado”.

Eu olhei bem pra cara dele, e disse: “Azar o seu!”. Ele me olhou de cima até o pé, com desprezo. E voltei a assumir meu lugar na fila da escada rolante. É cada uma que acontece comigo…

Advogados do Brasil

Dois dias antes dessa cena grotesca que aconteceu no metrô, estava eu conversando com Marcos da Costa, atual presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP). O “doutor” veio acompanhado de seu antecessor, Luiz Flávio Borges D’Urso, agora conselheiro da OAB em âmbito nacional.

Os dois, que faziam visita à Secretaria da Segurança Pública (SSP), são educados e extremamente inteligentes. Da próxima vez, contarei o episódio a eles para que saibam como tem gente maluca nesse mundão de meu Deus e do Papa argentino.

É óbvio, creio eu, que eles não compactuam dessas ideias doidas.

Falando nisso, desordem

E para o leitor que pensava que essa desordem era de um único advogado do Brasil, veja que você está enganado.

De acordo com uma matéria da Folha, apenas 10,3% dos inscritos no exame da OAB conseguiram nota suficiente e vão recebe a tal carteira de advogado – aquela que o moço ia me mostrar para furar a fila da escada rolante.

Não está fácil para ninguém.

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