Sequestros-relâmpagos têm queda de 55,78% em São Paulo


_midia_Imagem_00018127“Estamos no caminho certo”, afirmou Arli Antonio Reginaldo, responsável pela 3ª Delegacia de Polícia de Repressão a Roubos com Restrição de Liberdade, ou simplesmente de repressão a sequestros-relâmpagos. A queda desse tipo de crime foi de 55,78% na comparação de janeiro deste ano com o mesmo mês de 2012.

A delegacia, que pertence à Divisão Antissequestro (DAS) do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), começou a atuar em fevereiro do ano passado.

Segundo levantamento especial da Coordenadoria de Análise e Planejamento (CAP) da Secretaria da Segurança Pública (SSP), no mês anterior ao início dos trabalhos, janeiro de 2012, o total de ocorrências foi de 147 em todo o Estado, contra 65 no primeiro mês de 2013.

De acordo com o delegado, foram presas quatro quadrilhas no ano passado, entre elas as conhecidas gangues dos Playboys e das Loiras. “Isso contribuiu muito para o atual número de ocorrências.” Leia também no site da SSP.

Delegacia especializada

A delegacia que cuida dos casos de sequestro-relâmpago foi criada através do decreto número 57.537, publicado em 23 de novembro de 2011 no Diário Oficial do Estado (DOE), para centralizar as investigações desse tipo de crime.

À época, a Delegacia Geral de Polícia Civil (DGP) informou que o combate aos roubos com restrição de liberdade seria uma de suas prioridades durante todo o ano passado.

“O sequestro-relâmpago era o ‘crime da moda’ e era praticado até por indivíduos que não viviam do crime, como os integrantes da Gangue dos Playboys”, conta Arli, atual delegado da especializada.

Em agosto, a polícia identificou mais de 10 suspeitos de participarem de 35 crimes realizados em bairros de classe média de São Paulo. Os jovens, que trabalhavam e faziam faculdade – segundo o delegado –, também pertenciam à classe média, “mas queriam ostentar um luxo além de suas posses”. O dinheiro dos roubos era usado para comprar bebidas, como uísque, vodka e tequila.

Diante de um aumento dos sequestros-relâmpagos entre 2010 e 2011, “a polícia também se aperfeiçoou”. Para cuidar desses casos, foram chamados delegados, investigadores e escrivães com experiência em investigações sobre crimes contra o patrimônio – grande parte da equipe é oriunda do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). “A partir daí começamos a entender a dinâmica da atuação destes criminosos e de suas gangues.”

Diferença de crimes

Para o delegado, os próprios criminosos desconhecem a modalidade de crime que praticam. “Pensam que é só roubo, mas acaba sendo sequestro também, porque a vítima é privada da liberdade, ainda que por pouco tempo”, explica. No sequestro-relâmpago, a vítima é mantida em cárcere dentro de veículo, próprio ou dos criminosos, apenas durante o tempo em que estes conseguem o dinheiro.

Esse crime é diferente da extorsão mediante sequestro, quando a pessoa é mantida em cárcere privado por vários dias e os bandidos solicitam grandes quantias como resgate. “Por ser mais trabalhoso, esse tipo tem uma diminuição de casos que é natural.”

A diferença, contudo, não está apenas na teoria e na definição. Na Justiça, as penas são diferentes. Um suspeito de roubo pode ficar de 4 a 10 anos preso, enquanto um sequestrador pega de 8 a 15 anos. O condenado pelo sequestro-relâmpago tem uma pena de 6 a 12 anos de cadeia pela ação. “São penas pesadas.”

Inteligência

O DHPP, por meio da 3ª Delegacia, montou um banco de dados com informações acerca de todos os boletins de ocorrências de sequestros-relâmpagos. Esses documentos são enviados, obrigatoriamente, pelos distritos policiais que os registram. “A equipe também faz uma busca diária no sistema”, conta Arli. Essa rotina facilita e agiliza o trabalho da Polícia Civil.

“A gente analisa individualmente boletim por boletim, o modo de trabalho de cada quadrilha, a área do arrebatamento e de abandono da vítima, as características físicas e sinais particulares dos autores”, revela. Esses sinais particulares são, principalmente, tatuagens e cicatrizes.

O último caso solucionado pelo DHPP, em fevereiro, prendeu um homem de 30 anos, apelidado de “Cabeça”, por uma identificação de tatuagem. O crime, entretanto, havia acontecido em junho do ano passado, na região do Ibirapuera. Os outros integrantes da quadrilha a que ele pertencia, que já estavam presos, executaram mais de 10 sequestros-relâmpago.

Depois das análises, os boletins de ocorrência são distribuídos para que as equipes façam uma investigação de campo. Essa ação é cadastrada no banco de dados por área de atuação e o perfil dos integrantes do crime é levantado nos arquivos.

Arli assumiu a delegacia em janeiro, mas destacou que o combate contra os roubos com restrição de liberdade está dando certo por conta da dedicação dos delegados titulares que o antecederam. “Também é preciso destacar o empenho de todos os policiais civis desta especializada, que estão presentes até hoje, combatendo esse crime e procurando trazer mais tranquilidade à sociedade.”

Dicas da polícia

Geralmente, a abordagem da vítima é feita na entrada ou na saída do veículo, portanto, é importante que as pessoas fiquem atentas. Se a pessoa perceber a movimentação ou a observação de alguém, não estacione o carro. Segundo o delegado, é melhor andar um pouquinho a mais do que ser vítima de um crime.

Entre 18 horas e meia-noite, a atenção deve ser redobrada: é o período em que mais acontecem os sequestros-relâmpagos.

Necessariamente, mais de uma pessoa está envolvida nesse tipo de crime, já que um precisa ficar com a vítima, outro dirigir o carro, e outros fazerem a “cobertura” da ação e os saques dos cartões bancários.

“A propósito, não devemos andar com mais de um cartão de banco na carteira”, ressalta o delegado. Ele ainda explica que os cartões de crédito são mais usados, já que os de débito são limitados para os saques.

A Polícia Civil recomenda que as pessoas evitem usar caixas eletrônicos dentro de bancos 24 horas durante a noite, quando esses locais normalmente estão vazios. “Utilize esses serviços em ambientes fechados e movimentados, como supermercados e shoppings – e sempre que possível, vá acompanhado a uma agência bancária.”

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