Novas ideias modernizarão o Instituto Médico Legal de SP


A diretoria do Instituto Médico Legal (IML) tem como chefe, desde o último dia de fevereiro deste ano, o médico legista Ricardo Kirche Cristofi, que completa 40 anos de medicina neste 2013. Como uma de suas primeiras ações, o diretor pretende atualizar os métodos de exame do Instituto. Um tomógrafo começará a ser usado este mês, no IML Central, e um grupo acaba de ser criado para estudar a necropsia virtual.

Kirche recebeu a reportagem do Portal da SSP em seu gabinete onde, pela primeira vez, concedeu à nossa equipe uma entrevista como diretor do Instituto. Seu objetivo inicial como chefe – como destacou em sua posse – é melhorar a autoestima dos funcionários, especialmente dos médicos legistas, cujo dia nacional é comemorado neste domingo (7).

E por que esse objetivo? “Quem trabalha no IML, trabalha com o sofrimento das pessoas. O funcionário pode se desanimar com isso”, explica. Partindo dessa realidade, esse fato começou a ser mudado em 1º de março por meio de cursos, congressos e palestras – e até mesmo conversas diversificadas dentro do ambiente de trabalho.

Olga Benário e Kirche atuaram juntos no acidente da TAM, em 2007
Olga Benário e Kirche atuaram juntos no acidente da TAM, em 2007

Apesar de ser conhecido “popularmente” por cuidar apenas dos mortos, apenas cerca de 10% dos casos atendidos pelo IML são desse tipo. Os outros 90% são exame realizados em pessoas vivas. Exemplo são os testes de lesão corporal, sexológico (feito em vítimas de estupro) e toxicológico (para constatar o uso de entorpecentes).

Há um mês no comando do Instituto, o “Dr. Ricardo”, como é chamado pelos funcionários, conta que cuidar de administração é difícil. “Passo algumas noites sem dormir, mesmo sem nenhuma pendência no trabalho, apenas pela vontade de pensar em quê melhorar.”

Apesar disso, ele “agradece a Deus pelos funcionários” – e pede que isso seja destacado, pois todos eles o apoiam e, acima disso, amam a profissão que exercem. “Isso mantém a gente em pé”, afirma.

Novidades

O novo diretor pretende criar grupos especializados para atuação em acidentes de massa, como a queda do avião da TAM, em 2007, que matou 199 pessoas e feriu outras 13, em que Kirche atuou. “Material básico, o IML já tem. Agora, é preciso aprimorar e reciclar os nossos profissionais.”

Segundo ele, todo mundo precisa dominar o máximo de funções possíveis para as emergências. Por isso, os funcionários são, eventualmente, convocados para cursos e congressos.

Durante o mês de março, equipes de diversas unidades do IML do Estado foram convidadas para um curso de formação de necropapiloscopia. A área tem a função de identificar os cadáveres por meio de digitais. “É a primeira vez que o IML oferece um curso desse tipo”, afirmou a professora Olga Benário Vieira Araujo.

Além de tudo isso, um tomógrafo começa a ser utilizado pelo IML Central já neste mês de abril, para auxiliar necropsias em casos específicos, quando a definição da causa de morte é complexa. “O equipamento dá um detalhamento maior do corpo, por exemplo, das fraturas muito pequenas, que são difíceis de serem detectadas a olho nu”, contou o diretor técnico do núcleo de radiologia do IML, Sérgio José Zeri Nunes.

Para a área de Nunes, Ricardo Kirche também pretende instalar novos aparelhos e contratar técnicos de Raio-X digital para 12 núcleos do Instituto no estado. Além disso, aparelhos termográficos também estão nos planos.

A termografia, de acordo artigo científico da Associação Brasileira de Medicina Legal (ABML), “é um método complementar que auxilia a avaliação pericial das síndromes dolorosas e das variáveis que interferem para a capacidade para o trabalho, desde sua validade e em grau máximo a incapacidade”. É um método não invasivo, sem efeitos colaterais e com expressiva sensibilidade diagnóstica. Serve para analisar as lesões de um corpo, vivo ou morto.

Futuro

A diretoria do IML abriu estudos sobre necropsia virtual, método utilizado em países como Estados Unidos, Japão, Alemanha e, principalmente, na Suíça. O equipamento dispensa a necropsia manual e dá detalhes de todas as partes do corpo.

“Acho que não será na minha fase que isso vai acontecer, mas estamos investindo nas pesquisas para tornar o futuro mais próximo”, disse. Bem humorado, Ricardo ressaltou, entre risos: “Quem sabe, a primeira necropsia virtual será com o meu corpo…”.

Esse método, contudo, não é tão simples de ser implantado, de acordo com ele. O Código Penal exige que para a definição da causa de morte todas as partes do corpo humano sejam examinadas manualmente.

Nos próximos meses, o IML vai ressaltar diversos “ingredientes” para atender a população de um modo mais cordial, rápido e competente: um trabalho mais dinâmico, a atualização de todos os setores e a modernização dos métodos de exames.

É preciso subir um degrau de cada vez, segundo Ricardo, para elevar os trabalhos de um modo unificado e uniforme. “Queremos diminuir o sofrimento das famílias da melhor maneira possível.”

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