Café com a polícia


Neri Vani recebeu o prêmio da secretária da Agricultura, Mônika Bergamaschi, e do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Samuel Moreira
Neri Vani recebeu o prêmio Mario Covas da secretária da Agricultura, Mônika Bergamaschi, e do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Samuel Moreira

“Um roubo acontece. O suspeito ameaça a vítima com um revólver, leva seus pertences e a deixa assustada. A polícia consegue prender o homem, pouco depois da ação. O rapaz vai ficar preso. Em termos legais, tudo está certo. Mas para a vítima é diferente. Geralmente, ela fica com um medo retido dentro de si e apresenta sinais de estresse pós-traumático. Um médico pode ajudar – e nós também! Observando isso, criamos um tipo de visita comunitária. Os policiais que socorreram a vítima depois do roubo vão à casa da pessoa saber como ela está, tomar um café e conversar. A população responde positivamente a isso e passa a confiar mais na polícia e, aí, nasce uma relação de amizade.”

A cena narrada acima pelo capitão Felipe Neri Vani aconteceu e virou rotina na região de Lorena, no interior de São Paulo, onde a Polícia Militar criou um projeto para facilitar a fiscalização de crimes pelos órgãos públicos e privados. O “Despacho Social do Boletim de Ocorrência da PM” gerou outras consequências positivas, como o estreitamento de laços entre a polícia e a população local.

Foi com a criação do projeto que os policiais da região de Lorena perceberam, na prática, o quanto era importante participar da vida social da comunidade, em festas, comemorações ou eventos gerais. Não só como profissionais da segurança, mas também como cidadãos.

Da iniciativa, surgiu a ideia de visitar, em casa, as vítimas de crimes ocorridos na região, como contou o próprio idealizador do projeto, o capitão Neri Vani, oficial de Comunicação Social, de Recursos Humanos e adjunto de Qualidade do 23º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM/I).

A atuação nesses casos faz com que a população local aumente sua confiança na Polícia Militar. Essa credibilidade une os dois lados para que atuem juntos contra o crime, com a ajuda da Polícia e da sociedade que denuncia.

Neri Vani se diz feliz com os resultados e empolgado com o futuro do projeto – que recebeu em maio o troféu da 9ª Edição do Prêmio Mario Covas. “É importante que todo mundo saiba: nós estamos ao seu lado!”.

Despacho social

Com a criação do projeto, o registro de trabalho da Polícia Militar, o BOPM, pode auxiliar outros órgãos, públicos e privados, na fiscalização de crimes em 18 cidades do interior do Estado de São Paulo.

O capitão Neri Vani criou o programa social em 2007, quando comandava a subunidade da 4ª Companhia do 23º BPM/I, que fica na cidade de Cruzeiro – distante 220 quilômetros da Capital.

O batalhão é sediado em Lorena e cobre ainda outros municípios: Aparecida do Norte, Arapeí, Areias, Bananal, Cachoeira Paulista, Canas, Cunha, Guaratinguetá, Lagoinha, Lavrinhas, Piquete, Potim, Queluz, Roseira, São José do Barreiro e Silveiras.

Nas cidades, a Polícia Militar tem contato direto com o prefeito. Aos gabinetes, são encaminhados relatórios de “vulnerabilidades sociais”. Os documentos são levantamentos e análises dos atendimentos de ocorrências policiais militares, como as que envolvem drogas e álcool. De acordo com a PM, 70% das ocorrências locais são de cunho social.

Segundo o capitão, casos de violência contra a mulher, o idoso, a criança e o adolescente são encaminhados às autoridades responsáveis. Outros tipos de problemas, como os relacionados à infraestrutura, por exemplo, também fazem parte do programa. “Com isso, a Polícia Militar está fortalecendo outros órgãos – e isso é recíproco”, afirma Neri.

Apenas no ano de 2012, a 4ª Cia. do 23º BPM/I enviou cerca de 470 casos de problemas sociais às 18 prefeituras locais. “Sem aumentar o orçamento, podemos, como Estado, auxiliar os municípios”. No total, são realizados 27 tipos de encaminhamentos.

É importante destacar que o BOPM é diferente dos boletins de ocorrência registrados em delegacias (Polícia Civil), que têm a função de mostrar qual é a infração penal de cada caso, identificar os autores e reunir provas a fim de prender suspeitos e colocá-los à disposição da Justiça.

O BOPM, afirma Neri, serve para a comprovação do trabalho dos policiais militares em cada ocorrência que eles participam, sejam elas originárias do Centro de Operações da PM (Copom) ou flagrantes feitos nas ruas.

Polícia Comunitária

Com a nova dinâmica do “Despacho social do BOPM”, a região de Lorena passou a dar mais espaço para a Polícia Comunitária. Esse policiamento tem como fundamento o contato com a população, fazendo com que os policiais entendam melhor sua característica e avalie suas necessidades.

Segundo o idealizador, o projeto está motivando outras ideias. Por exemplo, a cidade tem realizado um cadastramento de flanelinhas. De acordo com a polícia, com esse levantamento, o número de pessoas que trabalham irregularmente na vigilância de carros diminuiu. Os “flanelinhas” conseguem regularizar-se no trabalho, na maior parte dos casos.

“Tudo isso é feito em contato com as Prefeituras e com uma comunicação direta com os promotores públicos”, destaca Neri ao ressaltar a importância da integração de todos os órgãos atuantes nos municípios, sejam eles de responsabilidade do Poder Executivo – local, estadual ou federal –, do Legislativo ou do Judiciário.

O projeto é coordenado pelo comandante do Batalhão, tenente-coronel Marcos Renato Vieira. Além de Neri, a equipe também é formada pelos capitães Sérgio Israel dos Santos Júnior, Claudio Yuri Chaves da Silva, José Ronaldo Andrade e Marco Antonio de Oliveira.

O “Despacho Social do BOPM” foi reconhecido pelo Premio Mario Covas. Foi com grande emoção que o capitão recebeu a homenagem, acreditando que sua “nova maneira de pensar” pode, a partir do Prêmio, ser estendida a todo o Estado.

Leia a segunda parte da reportagem.

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