Curso ensina necropapiloscopia a funcionários do IML


“Eu não sabia que a minha irmã havia sido identificada através da digital”, revelou Márcio Nakashima durante um dos encontros do I Curso de Treinamento em Perícias Necropapiloscópicas, realizado no primeiro semestre deste ano pelo Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo.

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A necropapiloscopia é a prática de identificação de cadáveres com o uso de desenhos e impressões de digitais. Em uma das aulas do curso, Márcio foi conhecer a atividade que permitiu identificar Mércia Nakashima, morta pelo ex-namorado em 2010. O corpo dela foi encontrado alguns dias depois em uma represa em Nazaré Paulista, no interior de São Paulo.

A professora do curso, a papiloscopista Olga Benário Vieira Araújo, que participou da identificação de Mércia, explica que mesmo um corpo sendo identificado por traços físicos – marcas de nascença ou até mesmo tatuagens –, por roupas utilizadas ou outros detalhes, é sempre indispensável o reconhecimento científico. “E é aí que entramos, para recolher as impressões digitais do corpo, esteja ele em perfeito estado ou já em decomposição, e fazer comparações com o objetivo de identificar a pessoa”, conta.

Ao todo, 84 atendentes de necrotério de diversas unidades do IML em todo o Estado participaram das aulas no primeiro semestre deste ano. O objetivo do treinamento foi o de aprimorar o conhecimento técnico dos profissionais, aumentando a qualidade do serviço oferecido pelo instituto. “É importante que, além do básico, tenhamos profissionais especializados para atuar em casos como desastres de massa”, explica o diretor do IML, Ricardo Kirche Cristofi, que atuou com Olga nas perícias do acidente do avião da TAM, em julho de 2007.

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Embora o reconhecimento em si não seja feito pelo IML, ter profissionais capacitados para recolhimento das digitais de forma correta ajuda no trabalho do papiloscopista, carreira ligada à Polícia Civil.

O aumento no número de profissionais que saibam recolher as digitais de cadáveres ajuda ainda a evitar que a pessoa seja enterrada como indigente, o que ocorre quando não há a identificação do corpo.

Papiloscopia

A ciência estudada no curso trata da identificação humana por meio das papilas dérmicas, que são os desenhos que estão nos dedos de cada pessoa. Dentro dessa área, existe a “necro”, que trabalha com digitais de mortos.

A papiloscopia estuda, além das digitais dos dedos (datiloscopia), as impressões das palmas das mãos (quiroscopia) e as dos pés (podoscopia).

A professora explica que “os desenhos digitais surgem no sexto mês de gestação e permanecem até a decomposição”, ou seja, eles permanecem com a pessoa até depois de sua morte. Depois que surgem, esses desenhos não se modificam e também são variáveis entre os dedos de uma mesma pessoa e de um ser humano para outro. “Até hoje, a ciência não encontrou digital que se repita.” E brinca: “Ainda bem!”.

Esses desenhos digitais surgem na derme, que é a camada mais profunda da pele humana, e se reproduzem na epiderme, que é a camada superficial. Nessa área é que a tinta vai para a impressão da digital em papel. “Na hora de colher a impressão, e necessário higienizar o dedo e secá-lo, pois o suor atrapalha e pode danificar o resultado final, borrando a tinta”, conta Olga.

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Mesmo com possíveis falhas na tinta, ainda é possível identificar as pessoas, já que para o perito confirmar se o corpo é de determinada pessoa, é preciso identificar 12 pontos específicos da impressão digital.

O estudo dos poros dos dedos – aqueles mesmos que liberam o suor – também ajuda, em último caso, quando não é possível comparar os pontos.

O trabalho requer bom conhecimento por parte do papiloscopista, pois é feito manualmente, um a um, com o auxílio de uma lupa.

Saiba como funciona o processo de identificação por digital na segunda parte da reportagem.

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