Tanatologia: o estudo da morte


DSC_6089O Instituto Médico Legal (IML) realizou 32.910 necropsias em todo o Estado de São Paulo durante o ano passado.

O processo, que gera laudos sobre corpos, faz parte da tanatologia, ciência que estuda a morte e é a base do trabalho do órgão da Superintendência da Polícia Técnico-Científica (SPTC). Essa análise é fundamental para a resolução de crimes e mortes suspeitas.

Exemplo disso foi um caso envolvendo uma adolescente de 15 anos, cujo nome é preservado por conta das características da ocorrência. A garota foi encontrada morta em sua casa. A suspeita da polícia era de que ali havia acontecido um homicídio doloso (intencional), ainda que ela estivesse pendurada por uma corda ligada ao teto.

“Ela estava com a mão entre o pescoço e a corda, como se quisesse pedir ajuda ou fugir de um agressor, o que motivou a suspeita de homicídio”, relata Marília de Deus Dias Vieira, médica especialista em tanatologia.

Com os exames, foi possível descobrir que, na verdade, a garota havia se arrependido do suicídio que cometeu, e tentou evitar o sufocamento puxando as cordas. O tipo de crime foi modificado, então, de homicídio para suicídio.

A tanatologia é uma expressão vinda do grego que significa “estudo da morte”. A ciência envolve necropsias e todos os exames envolvendo cadáveres. Marília coordena essa área em todas as 85 unidades do IML no Estado de São Paulo.

A morte em estudo

Durante os exames realizados no corpo da garota, foi descoberto que ela estava grávida de dois meses. “Quando tiraram a roupa para a análise do corpo, percebemos que a barra da saia que ela vestia estava um pouco aberta – resolvemos olhar mais de perto”, conta a médica legista.

Dentro da barra, estava um papel com o nome de um homem escrito. Investigadores conseguiram o endereço do rapaz e o localizaram. Ele era o responsável por estuprar a garota e seria o pai do filho que ela gerava.

Tudo isso foi confirmado por um exame de DNA realizado pelo próprio Instituto. Com isso, a polícia pôde entender uma das possíveis motivações do suicídio.

“Casos como esse fazem a gente ter certeza de como nosso trabalho contribui para diminuir, às vezes até acabar com o sofrimento das famílias”, explica Marília  de Deus, que tem 49 anos.

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3 comentários em “Tanatologia: o estudo da morte

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