Necropsia: o corpo por dentro


O Instituto Médico Legal (IML) realizou 32.910 necropsias em todo o Estado de São Paulo durante o ano passado.

O processo, que gera laudos sobre corpos, faz parte da tanatologia, ciência que estuda a morte e é a base do trabalho do órgão da Superintendência da Polícia Técnico-Científica (SPTC). Essa análise é fundamental para a resolução de crimes e mortes suspeitas, como exemplificamos ontem, aqui no Reticência Jornalística.

A necropsia envolve a abertura do corpo para que a causa mortis seja determinada. “A lei manda que esse procedimento seja manual, com serras, para dar mais precisão ao corte e não prejudicar o exame nem o corpo”, explica o diretor do Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo, Ricardo Kirche Cristofi.

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Apesar do processo manual, a função do médico legista durante o exame é não tocar o corpo. “O auxiliar de necropsia é quem faz o corte principal, que vai do pescoço até a região do púbis.” O médico faz as observações, análises e produz o laudo, que sempre tem um mínimo de 30 dias para ser entregue.

“Como policiais científicos, precisamos desconfiar de todos os indícios, afinal, por menos que pareça, os mortos ‘falam’ e contam suas histórias através do corpo”, conta Kirche.

Outra característica analisada nos corpos analisados é a rigidez. “Os nossos músculos ficam naturalmente contraídos, então, com a falta de circulação do sangue, eles voltam a esse estado depois da morte”, explica Marília de Deus Dias Vieira, médica especialista em tanatologia, que coordena essa área em todas as 85 unidades do IML no Estado.

O processo de enrijecimento começa depois de duas horas da parada do coração, pelas pálpebras e pelos pequenos músculos fixos, e dura cerca de 12 horas. O músculo da coxa é o último a se contrair, porque é o maior.

Com a morte, o corpo não necessariamente esfria, diz o diretor do IML – essa condição é essencial para avaliar o local onde a pessoa foi encontrada. “O cadáver tende a ficar com a temperatura ambiente: se o lugar for frio, vai esfriar; se for quente, vai esquentar”, afirma Kirche.

Outro detalhe importante para a perícia médica é a decantação do sangue. No caso da adolescente, que ilustramos ontem, como o corpo estava em pé, todo o líquido do corpo foi para os membros inferiores, onde vai começar a coagular – isso começa cerca de 8 horas depois do óbito.

“Com esse processo natural, na necropsia podemos descobrir se o corpo foi mudado de posição ou de local após o crime”, ressalta a chefe do setor de tanatologia do IML.

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