O amor no necrotério


A médica legista Marília de Deus Dias Vieira tem 49 anos e completa meio século de vida em 15 de outubro.

Ela é especialista em tanatologia e em infectologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Antes de trabalhar com necropsias, ela fez residência no Instituto de Infectologia Emílio Ribas.

A carreira de médica de Marília começou na Bahia, quando começou a estudar. Ela morou na terra do axé por seis anos, mas teve que mudar de Estado no terceiro ano da graduação e terminou a faculdade em Mogi das Cruzes, no ano de 1990.

Nascida em Osasco, ela trabalha no Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo há 17 anos, tempo em que já fez monstruosos plantões na Grande São Paulo e também na unidade Sul do IML na Capital, que fica no bairro Cidade Monções.

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Hoje, Marília trabalha na diretoria do Instituto, que fica no Butantã e é responsável por coordenar a tanatologia, que é o estudo da morte, nas 85 unidades do IML no Estado. Os funcionários que tiverem dúvida no trabalho podem ligar diretamente para ela.

Em um dos cansativos plantões que já comandou em sua cidade natal, anos atrás, o conhecido popularmente como “rabecão” (carro do IML) trouxe um cadáver fez com que sua vida mudasse, se não completamente, em grande parte.

A vítima de um homicídio doloso (intencional) vinha acompanhada por policiais civis, entre eles um escrivão, que foi falar com Marília. A necropsia aconteceu no tempo médio de uma hora, seguida por mais meia hora de uma eternidade entre os olhos.

Depois de olharem para o cadáver, o escrivão e a médica se olharam, flertaram, e, tempos depois, quando a paixão cresceu no coração dos dois, se casaram e tiveram dois filhos, que costumam dizer que a mãe é “médica de mortos”, apesar de ela nunca ter explicado a fundo a profissão. Ela diz que é infectologista.

“A morte gera vidas e no meu caso, foram duas”, brinca Marília, com o rosto vermelho de vergonha e os olhinhos brilhando com lágrimas contidas de emoção, ao olhar para o chefe, Ricardo Kirche Cristofi.

Kirche, que é diretor do IML, que, entre brincalhão e romântico, não deixa de provocar a amiga. “Não disse que os mortos falam?”, perguntou ao lembrar que os cadáveres emitem sons, por causa dos gases que se acumulam.

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