O pedido


Princesa,

hoje se completam dois anos desde o dia em que te fiz aquela pergunta, enquanto nos despedíamos na praça, pouco antes de eu entrar em um ônibus rumo à escuridão da noite de primavera. Não sei por que, setecentos e trinta dias depois, você ainda não me olhou nos olhos para responder a palavra por tanto tempo esperada.

Vivemos maravilhosos momentos desde que a tarde daquele dia começou, como se uma existência nova tomasse conta da minha alma a cada momento que eu passo ao seu lado. Desde aquele primeiro abraço, quando me apaixonei e percebi que valia a pena – tudo vale a pena, se a alma não é pequena – dedicar cada minuto de passeio na Terra a você.

Tudo isso para poder acordar a cada dia pela manhã, ouvir a sua voz e ver o seu sorriso de cara inchada de sono. O que me faria despertar a cada manhã no paraíso, ao lado de Deus. A sua voz seria como a trombeta que os anjos tocam docemente enquanto flutuam sobre as nuvens de algodão que você tanto adorou ver na viagem de avião.

Esta carta poderia ser entregue por um funcionário dos Correios ou por um oficial de Justiça, que traria uma convocação para que você comparecesse a um Tribunal. Não para responder a um processo, mas a uma pergunta. Aquela pergunta que eu te fiz e por mais que tenha dado a entender a resposta, nunca de fato respondeu.

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Venho por meio desta (escrever como um bobão, se for desse modo), pedir que você, por gentileza me responda. Este espaço não é mais meu, mas seu. Você é agora a protagonista que terá a chance de dizer em palavras aquilo que já me disse em atitudes e sentimentos. Contudo, preciso que me explique o motivo da não resposta.

Antes, preciso te fazer a pergunta novamente, já que deve ter se esquecido, afinal, já se passaram dois anos, vinte e quatro meses: dezessete mil, quinhentas e vinte horas. Gostaria, contudo, de usar para isso as mais belas palavras, como as de Machado de Assis. Mas sou apenas capaz de incluir alguns clichês, como o de que você é a pedra preciosa mais bela e valiosa do mundo e nem o ouro é capaz de ofuscar o seu brilho de luz própria mais forte que o sol.

Falei de Machado porque, em meu lugar, ele não faria tantos floreios e decretaria que nós queimaremos o mundo, porque só é verdadeiramente senhor do mundo quem está acima das suas glórias fofas e das suas ambições estéreis. “Estamos ambos neste caso; amamo-nos; e eu vivo e morro por ti.” De fato, me sinto assim quando estou com você.

Minha princesa, hoje, após o primeiro e milhões de beijos, sorrisos e abraços no sol, no vento e na chuva torrencial que se extinguiu da realidade paulista, eu seguro a tua mão que ostenta uma aliança de ouro e prata com uma pedra preciosa com o meu nome e a nossa data em seu interior. Eu seguro a tua mão para perguntar novamente e aguardar a tua resposta: amor, você aceita namorar comigo?

De seu em breve futuro esposo (aguardo apenas a resposta do pedido de namoro para dar entrada na declaração e no discurso que usarei para te pedir em casamento),

Rafael.

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