Intolerância


Doze mortos e diversos feridos. Esse foi o saldo do massacre que aconteceu na primeira semana de janeiro na sede do jornal Charlie Hebdo, em Paris, na França. Dois irmãos muçulmanos invadiram o prédio do periódico e dispararam as balas que estavam em seus fuzis AK-47, projetados por Mikhail Kalashnikov, na União Soviética, no período do pós-guerra.

Os tiros da intolerância repercutiram pelo mundo com diversos pontos de vista, desde os defensores da liberdade total de expressão até o conservadorismo de grupos fundamentalistas. Fato é que a relação de Charlie com o mundo islâmico nunca foi das melhores.

Stéphane Charbonnier
Carb. Foto: Michel Euler/AP.

Stéphane Charbonnier, o Charb, era o responsável pela publicação semanal e estava na lista negra do grupo terrorista Al-Qaeda – ao qual pertenceu Osama Bin Laden, mandante do ataque ao World Trade Center em 2001 – desde anos atrás, quando publicou charges fazendo piadas com Maomé, profeta islâmico.

A ironia faz parte do jogo democrático e também do princípio mundial da total liberdade de expressão, prevista pela Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH). “Todo o homem tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios, independentemente de fronteiras.” É o que diz o artigo 19 da DUDH.

Um direito básico de uma sociedade democrática não pode ser comprometido, mas até pode ser discutido. Não há pesquisa sobre isso, mas é possível dizer que muitos muçulmanos acharam um completo desrespeito as opiniões do jornal, mas as respeitam, diferente do que acontece com os radicais, que mataram “em nome de Deus”.

Se Charlie Hebdo provocou, uma pessoa que segue as palavras divinas não poderia revidar com tamanha violência. Falta de respeito a crenças faz parte de uma sociedade que vive o livre arbítrio. Além disso, não é possível dizer que o periódico comete uma heresia se eles não creem em Deus. É questão de lógica. Assim como as palavras são um direito e a violência sempre será um crime. E a culpa maior sempre será de quem tem armas nas mãos.

*Especial para o Boletim Informativo da Paróquia Santo Antônio dos Bancários.

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