Morrer de vodca


A brincadeira do “quem bebe mais” em uma festa universitária matou um estudante de 23 anos, em Bauru, no final de fevereiro. O garoto teve coma alcoólico, mas não maturidade para pensar um pouco no que estava fazendo, afinal.

Ora, mas quem nunca se reuniu com os amigos para beber até cair? Isso tem sido tão comum que vez ou outra vejo jovens fazendo isso na frente da paróquia em que circula este boletim informativo*. E o que eles bebem não é o vinho consagrado.

Beber só é proibido para crianças e adolescentes porque esse grupo não tem maturidade nem responsabilidade para lidar com o álcool. Assim como não teve o universitário, que esteve sob influência de um grupo.

E não podemos dizer que a culpa é apenas dele, o garoto. Seres humanos são pressionados a cometer todos os tipos de estupidez escondidos embaixo da máscara do anonimato entre uma multidão. Participar de brincadeiras assim torna as pessoas populares.

O garoto que morreu postou no Facebook uma frase escritor russo Vladimir Maiakovski como se estivesse prevendo a necessidade de uma justificativa para o que fez. De forma póstuma, hoje, todos podem ler que ele preferia “morrer de vodca a morrer de tédio”. Foi o que aconteceu.

Maiakovski também escreveu que "dizem que em algum lugar, parece que no Brasil, existe um homem feliz".
Maiakovski também escreveu que “dizem que em algum lugar, parece que no Brasil, existe um homem feliz”.

Em fevereiro de 2012, publiquei neste espaço um texto chamado “Marvada pinga”, que gerou polêmica por conta ideia que sustentava: de que a igreja não devia influenciar o consumo de álcool com a venda desse produto em festas beneficentes com teor religioso.

À época, alguns disseram que a arrecadação era necessária e as pessoas também teriam o direito de se divertir. O que é correto. Contudo, não são apenas os adolescentes que não tem maturidade para esse consumo e inconsciência e falta de responsabilidade no consumo pode acontecer em qualquer lugar. Inclusive na sua casa.

A música da marvada pinga ficou conhecida na voz de Inezita Barroso, que morreu aos 90 anos em março. Contudo, é possível que ela nunca concordasse que a faculdade fosse um lugar para ali mesmo beber e ali mesmo cair. A bebida, como o cigarro ou qualquer outra droga, também faz mal à saúde e precisa ser consumida com moderação e responsabilidade.

E se não for, é sempre bom saber que a morte está à espreita. E se você não se prevenir, com certeza ela te acertará com uma força muito maior do que aquela com a qual você consegue lutar. E ela vencerá.

*O texto foi escrito para o boletim informativo da Paróquia Santo Antônio dos Bancários.

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