Precariodismo


O sétimo dia de junho lembra a liberdade de imprensa, mas, o que é que eu vou fazer com essa tal liberdade, se há quem diga que o jornalismo vem morrendo a cada dia? Talvez, tudo esteja consumado e nada mais possa ser feito para curar o câncer que se instala na comunicação: a falta de vergonha na cara.

E essa falta de vergonha, que deveria ser necessária para que um profissional da área pudesse perguntar tudo que fosse importante à sociedade, tomou o sentido negativo – o de mentir. Evidentemente, isso acontece em maior parte na editoria de polícia, quase sempre contra partidos com ideias de esquerda – e isso tem sido bastante constatado.

“Veja” bem, tem sido comum perceber grandiosas mentiras (inverdades, como alguns gostam de amenizar) em veículos de comunicação, de modo cada vez mais constante e bárbaro. Apenas como exemplo, a revista que citei ironicamente no começo do parágrafo publicou em meados de maio uma “conversa” com Marcelo Nova, da banda Camisa de Vênus.

O próprio “entrevistado” disse, em uma rede social, que “algumas das perguntas que lá estão nem sequer me foram feitas e as respostas ficaram a cargo de vai se saber quem”. Esse é só um exemplo da falta de ética de uma revista que tem se tornado em uma grande produtora de notícias mentirosas, faltando apenas ressuscitar o bebê diabo do lendário Notícias Populares.

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Esse é só um exemplo fora do campo político. Mas é impossível não falar disso. Também no mês que passou, a Rede Globo exibiu matéria afirmando que uma estudante de medicina que participa do Ciência Sem Fronteiras voltou dos Estados Unidos, onde estava há nove meses, por insegurança causada pelos problemas na liberação de verbas por parte do governo federal.

A garota, chamada Amanda Oliveira, também usou uma rede na internet para desmentir a reportagem: “Eu voltei pelo simples motivo que minhas aulas na UFT [Universidade Federal do Tocantins] começariam agora e eu julguei não valer a pena perder outro semestre”.

De acordo com a estudante, aquilo foi dito inúmeras vezes na entrevista, “mas a Globo achou mais interessante omitir isso e inventar um motivo mais atraente”. A emissora até chegou a retificar a informação, mas apenas por que foi pressionada pelos internautas convencidos da completa falta de ética.

Em espanhol, jornalismo se diz “periodismo”, palavra que foi unida a “precarização” para formar o título deste texto. O termo foi criado por algum estudioso da comunicação para tratar dos problemas mais constantes do mercado de trabalho da profissão. Aqui, uso o neologismo para dizer que parte do jornalismo está ficando precário pela falta de ética e comprometimento.

É de extrema importância para a as pessoas se voltem contra a mídia, nesta que é chamada “sociedade da informação”. Porque a informação, apenas a verdadeira (e deixemos de fora as especulações e os boatos), é a base de uma democracia. E está em nossas mãos, na responsabilidade de cada cidadão, mantê-la e melhorá-la cada vez mais.

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