Mil dias, mil vezes


O que são mil dias para uma pessoa que já viveu mais de oito mil? Essa fração pequena pode ser irrelevante, nesse ponto de vista, mas representa muito para quem descobriu que, apenas com isso, teria a eternidade toda nas mãos.

Digo isso porque hoje, dia 13 de agosto de 2015, a Bruna e eu completamos o primeiro milhar de manhãs e noites desde que começamos a namorar, em 17 de novembro de 2012. É muito tempo, mas, ainda assim, tão pouco.

Pouco porque, a partir do momento em que você descobre o amor, você percebe que os tantos porcento da sua existência foram em vão até encontrar a sua cara-metade. E eu não estou falando daquela banda de pagode que cantava “Morango do Nordeste” na década de 1990.

Estou falando da pessoa com quem, logo no primeiro olhar, faz você perceber que a vida tem um sentido mais amplo do que o banal: estudar, trabalhar, jogar bola e videogame, sair com os amigos e por aí vai.

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Diria o Pequeno Príncipe de Antoine de Saint-Exupéry, em uma das frases mais batidas (e verdadeiras) da era dos compartilhamentos em redes sociais, que “o essencial é invisível aos olhos”. Eu digo que o essencial é visível aos olhos nos olhos.

E foi exatamente no primeiro olhar que troquei com a Bruna, muitos anos depois de nos termos visto pela última vez, que não só descobri o encanto dela, que me arrebatou, mas também descobri o essencial de mim – a verdade que, de pronto senti: a essência de mim só poderia ser ela.

Se eu dissesse isso para alguém, em outras épocas, me preocuparia com o fato de estar parecendo infantil, mas, hoje, sei que perceber, assumir isso é uma atitude muito madura. Apenas os fracos têm motivos para ocultar sentimentos.

Sim, porque eu era fraco. Mas ao sentir o toque mais forte do amor, percebi que justamente todas as fraquezas se transformariam na maior força que eu poderia ter. E a única fraqueza é o medo de um dia não ter forças.

O tempo mostra que a chance disso acontecer quase não existe. Porque a partir do momento em que a maior parte das horas antes destinadas a filmes ou papos ao vento dão lugar a planos de futuro, tipos de vestido de noiva, lugares para morar, nomes para filhos que virão um dia, é sinal de que tudo será eterno.

A eternidade depende de nós. De como nós nos dedicamos a construir a vida a dois como se, já na Bíblia está escrito, fôssemos um só corpo. E essa é a questão mais interessante de tudo: é prazeroso viver a vida do outro como se fosse a sua.

Porque o amor é indivisível. Tentar fugir disso é o que nos faz sofrer, é burrice. Tem até uma música que resume bem isso. Ela foi composta por Federico Cavalli e Pietro Cremonesi. O último fez arranjos com Angelo Valsiglio para que Laura Pausini ganhasse a Itália e o mundo em 1993.

La solitudine fra noi, questo silenzio dentro me

È l’inquietudine di vivere la vita senza te

Ti prego aspettami perché

Non posso stare senza te

Non è possibile dividere la storia di noi due

A solidão entre nós. Esse silêncio (vazio) dentro de mim. A simples ideia de viver sem você me dá uma sensação de inquietude… Por isso, te peço: me espera, porque não posso ficar sem você. Não é possível dividir a nossa história, a história de nós dois.

Em mil dias, só é possível dizer que amanhã se completaram mil e uma noites em que o céu, ao menos na minha vida, foi estrelado. Que a Lua permaneceu olhando por nós a cada instante, com exceção do primeiro encontro. Naquele dia, primeiro encontro.

Estamos às vésperas de completar trinta e três meses de tarde com temperaturas agradáveis, propícias para um passeio no parque. De crepúsculos da mesma cor dos olhos da Bruna. O meu pôr-do-Sol particular. Meu paraíso único.

Assim como o personagem Amir, imaginado por Khaled Hosseini em “O Caçador de Pipas”, estou olhando agora para o céu. Vejo um par de pipas vermelhas planando no ar, bom rabiolas compridas e azuis.

Como fadas, dançam lá no alto, bem acima das árvores da ponta oeste da serra da Cantareira, voando lado a lado como um par de olhos observando a cidade de São Paulo de cima da Pedra Grande.

De repente, penso na frase que Hassan sussurrou aos ouvidos de Amir antes de sair correndo como ninguém atrás das pipas que caíam do céu: por você, faria isso mil vezes.

Não sei o motivo, mas a minha vontade agora é de dizer para a Bruna: por você, não faria isso mil vezes. Faria mil vezes mil vezes. Setenta vezes sete, como diria Jesus ao representar o infinito. Por você faria isso quantas vezes for preciso.

Mas o que eu faria? Qualquer coisa.

E afinal, qual é o objetivo deste texto?

Apenas dizer que eu a amo.

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