Capas de jornais e o afastamento de Dilma Rousseff


Esta quarta-feira, 11 de maio de 2016, é histórica para o Brasil, que pela segunda vez vota o afastamento de um presidente da República. O afastamento de Dilma Rousseff é responsabilidade do Senado Federal, mas a influência sobre a população tem muito a ver com o posicionamento dos jornais.

Vamos ver o que trazem na capa algumas publicações de hoje.

O Diário de S. Paulo, que tem feio campanha pelo impeachment, traz em sua capa de hoje algo que não é jornalismo, mas sim o que mais parece uma birra de criança com 5 anos de idade. “Golpe é o que a senhora fez ainda faz conosco, mentindo sem parar”, diz a carta infantil.

O Diário Catarinense, publicado em Florianópolis, circulou nesta quarta com uma capa favorável ao afastamento de Dilma Rousseff, contudo de uma forma criativa. O veículo retrata o dia D com diversas palavras com a letra “d” em destaque para relembrar momentos da crise política do país. O quadro, com um jogo de cores, forma uma imagem em perfil da presidenta.

Com a manchete “Pedaladas finais”, o jornal Estado de Minas ironiza o fato de Dilma ser passear de bicicleta todos os dias e o relaciona com o que a oposição tem chamado de crime de responsabilidade. Ao pé de uma foto da presidenta em sua bike, há destaque para uma frase quem Dilma diz estar cansada de traidores, mas não de lutar.

O Agora S. Paulo de hoje vai contra todos os princípios editoriais amplamente difundidos pelo Grupo Folha, ao qual pertence. A chamada da primeira página diz que o Senado “acaba hoje” com o Governo Dilma. Essa ênfase, antes mesmo da votação, reflete uma falta de imparcialidade e é extremamente tendenciosa.

Abaixo da manchete, o Agora apresenta duas imagens que mostram a mesa de trabalho da presidenta, com três imagens de Nossa Senhora Aparecida (como se estivesse rezando para não ser afastada), e manifestantes ateando fogo a pneus em ato contra o golpe, numa típica representação do que a imprensa chama de “vandalismo”.

Os representantes da Folha vão dizer que o título leva em consideração o perfil do público do Agora, que é um jornal popular. Mas isso não é verdade. Não é possível cair nessa armadilha, porque uma manchete como “Senado vota hoje o afastamento de Dilma” seria igualmente clara e moderada.

Na “batalha do impeachment” veiculada pelo jornal O Globo, Dilma já está abandonando o microfone e saindo de cena, interrompendo 13 (veja que ironia do destino) anos de PT no poder. É uma capa comedida, mas que diz bastante sobre a subjetiva visão política dos donos do veículo de comunicação.

A última capa de destaque do dia é a do Extra, do Rio de Janeiro, que já prevê a derrota de Dilma e afirma que o Senado estende um tapete vermelho para o vice-presidente da República. À esquerda da manchete, há um caminho de sujeira por baixo do tal tapete, que mostra que Michel Temer foi citado por delatores e questiona se a Operação Lava-Jato vai continuar.

Ao contrário dos demais veículos de imprensa, o Extra coloca em dúvida as promessas de Temer e da oposição de acabar com a corrupção. É um ponto de vista isolado entre os jornais de maior porte, mas que não pode ser deixado de lado. No dia 17 de abril, a publicação havia circulado com a manchete “O dia do fico. Ou do vai”.

Amanhã, vamos analisar as primeiras páginas dos jornais com base no resultado da votação do Senado, com o resultado sobre o afastamento ou não da presidenta do Brasil, Dilma Rousseff.

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