Jamais temer


O impeachment é constitucional. É claro que é.

O grande problema, o que torna o processo um golpe, é tornar o julgamento de um representante eleito pela maioria por questões políticas e não levando em consideração as evidências jurídicas, até porque as que foram apresentadas contra Dilma Rousseff são risíveis.

A Justiça no Brasil sempre foi tratada como uma piada.

Com razão. Porque a tal moça que segura a balança não é cega e, não sendo cega, ela tenta olhar por baixo da venda que amarraram sobre seus olhos.

Apresentação1

Dilma sai da presidência da República sem ter nunca atentado contra a democracia e sem jamais ter rasgado ou desprezado um voto sequer entre os milhões que recebeu em todo o país, na eleição de 2014.

A vontade do povo é soberana.

Se a oposição acredita que Dilma não é uma presidente apoiada pela população, que defenda a realização de novas eleições para confirmar isso. É uma sugestão (mas não bem assim) da Rede, ainda que eu desligue o som da televisão a cada vez que Marina Silva abre a boca.

O Brasil não pode ser governado por conspiradores.

Porque se o próprio Michel Temer conspirou, tramou contra a presidenta, a quem ele conhece, o que ele fará para a população, a quem ele não conhece e cujos votos não lhe foram destinados, mas à Dilma? Isso é uma ideia bíblica.

Claro que isso faz parte da história do PMDB, o partido mais traiçoeiro em exercício entre todos os 35 que existem hoje no país.

Em toda a história, em três ocasiões esse partido assumiu a presidência: com Temer, agora; com José Sarney, em 1985, após a morte de Tancredo Neves; e com Itamar Franco, após o afastamento de Fernando Collor, em 1992.

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Brasília – A presidente Dilma Rousseff, durante a cerimônia do anuncio da criação de cinco novas universidades no Palácio do Planalto (Antonio Cruz/ Agência Brasil)

O grande erro do Partido do Trabalhadores foi confiar que poderia domesticar uma cobra venenosa e selvagem. Foi fatal.

Não é democrático vencer no tapetão.

E tudo isso, é preciso lembrar, começou quando o íntegro (evidentemente uma ironia) Aécio Neves não aceitou perder a eleição para uma mulher, no alto de seu machismo e de sua arrogância pessoal e política.

Aliás, este senhor disse no Senado que se lembra de que “nos últimos debates presidenciais alertava a senhora presidente das pedaladas fiscais que estavam sendo feitas”. Isso significa, também, que ele culpa a população que elegeu Dilma, por isso.

A História reconhecerá como golpe esse processo.

E a partir de hoje, a população brasileira deve ir às ruas contra o governo que se instalará para que os representantes do povo saibam que, sem legitimidade, sem votos, não há administração pública que consiga seguir em frente.

A presidência da República deve ser ocupada por alguém que seja da confiança da população e não por alguém que traiu o povo, conspirando contra quem foi eleita por 54.501.118 pessoas em uma eleição limpa e completamente confiável.

O Brasil não pode temer.

Se a dignidade do país foi resumida a 55 votos golpistas e diversos votos da imprensa a favor do afastamento de Dilma, ainda há esperança naqueles 22 votos que celebram a Constituição Federal e os nossos direitos.

A oposição começa aqui e não podemos deixar que tudo seja fácil para Michel Temer.

Ele merece colher aquilo que plantou na sociedade, eternamente com a pecha de conspirador e golpista, líder de um governo ilegítimo que pretende acabar com as conquistas sociais de 200 milhões de brasileiros.

Em dois anos, a democracia retornará, ainda que extremamente fraca, porque dois anos representam muito tempo para manter uma ferida aberta, sangrando, sem tratamento. Tratemos, pois, nós mesmos desse machucado, de qualquer forma que for.

A História é registrada e prossegue.

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