Ouvir estrelas


Para ouvir as estrelas, muitas vezes desperto e abro as janelas, pálido de espanto. Elas não apenas falam, elas gritam, elas cantam. Cantam um canto novo que se liberta no universo de suas cordas vocais depois de tanto tempo sendo mantido escravo de si, acreditando que possuía um brilho próprio.

Foi ao descobrir o amor que essas estrelas começaram a se comunicar comigo. E aí, como elas, entendi que eu não brilho, mas que, em minha escuridão, sou iluminado pela luz de uma estrela maior, a de quem eu amo. É preciso descobrir o amor (ainda que por si) para abandonar o frio da vida.

“Ora”, direis, “ouvir estrelas! Certo perdeste o senso”. E eu vos direi que é justamente o contrário: eu encontrei o juízo ao ouvir, pela primeira vez, a voz das estrelas. Porque são elas que cintilam em nossos estômagos – e não as borboletas, que batem as asas – quando ficamos tête-à-tête com aquela pessoa.

E direi ainda mais: assim, não apenas ouço as estrelas, eu as sinto dentro de mim. E se todo o mundo surgiu em um grande estou, só é possível concluir que uma pessoa também fez com que uma algo explodisse dentro de mim, dando origem aos astros, aos sistemas solares particulares.

Poucas são as pessoas premiadas pela vida com a mais valiosa de todas graças. O amor. O romantismo soa um tanto antigo, banal e piegas, mas é o que realmente nós, apaixonados sentimos. E temos que lidar com isso todos os dias, e poucas situações são tão encantadoras.

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Hoje é o dia dos namorados e desde o dia em que me apaixonei, parei de pensar no namoro de fato. As estrelas que conversam comigo durante as madrugadas frias deste outono mostras uma Via Láctea caminhando para algo mais. Eles apontam para um tapete vermelho e seus traços brancos são véus de noiva.

Assim, com símbolos de interpretação livre, as estrelas e eu conversamos durante toda a noite, enquanto aquela via leitora, como um pálio aberto, cintilava. Em meio ao frio e ao vento, enquanto me despedia daquelas estrelas, meu pensamento voava até a mulher que realmente faz valer os sonhos de toda uma vida.

Ela. A quem eu procurava pelo céu deserto, ao vir do sol, saudoso e em pranto. Ela, a quem eu encontrei apenas três dias após um desses dias dos namorados, que transformou a minha vida e fez com que eu fosse mais feliz e criasse mais constelações dentro de mim – e dela também.

Ela, a quem hoje eu vou agradecer por me aturar por tanto tempo, por ser tão maluca quanto eu, que converso com astros interplanetários. Ela, que me fez descobrir o que significa a indefinível palavra amor. Hoje, quero parar de conversar com as estrelas, porque encontrei uma voz mais bonita que a delas.

Depois de todo esse devaneio, você vai me dizer: “Tresloucado amigo! Que conversas com elas? Que sentido tem o que dizem, quando estão contigo?”. Vou sentir pena por você não saber o que elas me dizem. A mim, elas me dizem que a cada momento eu amo mais aquela pessoa que me transformou.

A você, não sei nem posso imaginar o que elas diriam. Como Olavo Bilac, apenas tenho uma dica: amai para entender as estrelas! Pois só quem ama pode ter ouvido capaz de ouvir e de entender estrelas. Eu as entendo, por a pessoa que eu amo é a grande estrela de luz própria que faz as minhas estrelas cintilarem no coração.

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