Um país derrotado


Tudo está consumado.

Dilma Rousseff foi crucificada. Uma presidenta eleita por 54.501.118 brasileiros está deposta de seu cargo após um processo circense no Senado brasileiro.

Para que se cumpram as escrituras, é necessário que Dilma venha a público e diga: tenho sede – sede de justiça. Porque é a justiça que os inocentes procuram.

Temo que no Brasil, essa justiça não seja encontrada. Com a demonstração de cinismo dos autores do pedido de impeachment, tem-se um tipo de lixo que não pode ser reciclado.

Houve o golpe.

Um golpe patrocinado pela elite econômica do país, que por anos viu os direitos dos mais pobres crescerem, e agora resolve se vingar de maneira patética.

Não há crime. Mas houve erros. E o erro de Dilma foi ter como vice decorativo Michel Temer, o mais perigoso de todos os mafiosos políticos do Brasil.

Temer, agora, se mostra capaz de trair seus próprios eleitores, que aprovaram o projeto de governo de Dilma – o qual ele agora rasga e pisa em cima.

O usurpador, que carrega no colo – e nina com carinho – Eduardo Cunha, é o coautor do assassinato da democracia brasileira; merece uma condenação perpétua.

Dilma, se o impeachment é uma morte política, tenha certeza de que comprometer o direito popular de escolha é garantir um suicídio nas páginas da história.

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Durante sua defesa no Senado, Dilma lembrou que, na época da Ditadura, tinha muito a esperar da vida. “Tinha medo da morte, das sequelas da tortura no meu corpo e na minha alma. Mas não cedi. Resisti.” Em outro momento, afirmou: “Hoje, eu só temo a morte da democracia”. (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Os acertos do governo de Dilma permitiram que muitos brasileiros estivessem vivos, hoje, em condições decentes, para se envergonharem dos parlamentares.

Inconformado por estar em segundo plano, Temer conspirou contra aquela a quem deveria ser leal. Foi infiel. Eu quero ver você morar num motel.

Hoje, aqueles que faziam oposição a Dilma se aliam ao usurpador, mesmo sabendo que um dia ele os trairá. Como eles também o trairão.

Assim, o Brasil chegará ao fundo do poço antes que se possa notar.

Uma batalha foi vencida por uma elite que busca diminuir os direitos dos mais pobres, os resultados virão em breve. Mas uma guerra foi iniciada.

É hora de sair às ruas e impedir que um usurpador governe o país da maneira que ele julgue necessário. A população brasileira, agora, precisa impor a sua vontade diante de um governo que fará de tudo para jogar por terra direitos conquistados ao longo de décadas.

Com o impeachment consolidado, quem perde não é o Partido dos Trabalhadores (PT), os grupos de esquerda, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou Dilma, tampouco o combate à corrupção aumentará (diminuirá). Com o golpe, única e exclusivamente a sociedade é derrotada, é golpeada e fica com cicatrizes que talvez não se curem.

Não decidimos nas urnas que seria implantado um projeto conservador no país.

O brasileiro não pode ter medo de lutar pela democracia.

Espera-se que o novo presidente seja autoritário, como é comum daqueles que não tem o voto a seu favor. Disseram que o voto não é salvo-conduto. Se ele não é, sua ausência é menos ainda. Sem a vontade do povo, não é possível governar.

Por muitos anos, o brasileiro foi oprimido em suas escolhas e não é, em nenhuma hipótese, aceitável que o parlamento realize uma eleição indireta para a presidência do país.

Que seja aberta uma consulta pública e que as eleições sejam adiantadas!

Todo o poder emana do povo!

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