Ouça, Gregório


Muita gente resolveu responder ao seu texto, algumas criticando, mas a maioria elogiando e usando isso como base para falar de seus próprios relacionamentos passados, presentes e até futuros. Eu também tenho algumas coisas para dizer, mas o título não será “Desculpe o transtorno, preciso falar de”. Não é um transtorno falar da pessoa que eu amo.

Muito pelo contrário.

Conheci a Bruna na escola. Já contei aqui. Essa história pode parecer romântica se você imaginar um casal que se apaixonou na escola, quando adolescente, e seguiu a vida inteira de mãos dadas. Mas, na verdade, a gente pouco se olhava na cara naquela época. As amigas dela eram insuportáveis e eu sempre fui adepto do “tudo pela bagunça”.

Mesmo assim, nas poucas vezes em que a gente trocava olhares, eu já via nela algo diferente, sentia algo diferente, algo que brilhava naqueles olhos doces como o mel, algo que eu não entendia ainda, mas hoje compreendo: era, como diria Drummond, o amor batendo na porta, o amor batendo na aorta. Mas foi só em 2012 que eu resolvi abrir e me constipei.

A partir do nosso reencontro, pelo Facebook, graças a este blog – que fez com que ela se lembrasse de mim depois de seis anos ­–, passamos também noites conversando pelo chat (o MSN já estava “sendo” acabado, o Orkut exalava seus últimos suspiros e o WhatsApp não era ainda a nossa praia).

Começamos a namorar quando a gente tinha 19 anos. E, naquela época, eu disse para ela algo que eu reproduzo aqui: a minha vida só começa a existir aqui, antes de você não há passado. Assistimos a todos os filmes de terror horríveis que passaram no cinema. O primeiro encontro teve uma sessão de Atividade Paranormal. Nem reclamei de ter que assistir a Crepúsculo, só porque ela gosta. Tentamos começar um milhão de séries, mas ficamos com preguiça. Fizemos strogonoff, macarrão doce (a coisa mais horrível que eu já comi) e fondue, à luz de velas, no quarto – e isso foi a coisa mais incrível.

Nós já sofremos com a distância de algumas horas. Neste momento, eu sinto um vazio de saudade no meu peito por não a ter perto de mim. E ela não viajou, nem está longe, só está estudando. Gregório, nós também viajamos dividindo o fone de ouvido e cantando mentalmente as nossas 10 músicas-tema de amor. Dessas 10 músicas, as que eu mais gosto, sete são românticas e eu as usei para declarar meu amor por ela. As outras três são do Raça Negra, do Molejo e do Tchan.

love_apples-wallpaper-1366x768

Com ela, eu aprendi o que é o amor.

Ao contrário de você e da Clarice, não terminamos. Mas também choramos muito. Eu já chorei assistindo ao Rei Leão, ao Chaves, a alguns filmes sobre câncer. Meu pai morreu por isso. Já choramos juntos quando parávamos o dia para ler as milhões de cartas – cartas mesmo, de papel – que trocamos durante toda a nossa história. Hoje, eu posso dizer, Gregório – não tem um lugar que eu vá em que alguém não diga, em algum momento: cadê ela? Como ela está? Quando vocês vão casar?

Parece que, para sempre, eu vou amá-la. Espero que a gente tenha logo um filho, eu penso. Quero que ele leve o nosso amor por toda a vida dele e transmita isso aos netos e bisnetos. Quero passar nove meses discutindo os motivos que me levam a crer que Helena é um nome mais bonito que Clara, que Miguel virou modinha e Guilherme é mais sofisticado.

Eu quero acordar todos os dias e saber que eu tenho alguém ao meu lado para ser o meu porto seguro. Eu também quero que ela continue jogando as suas âncoras em mim. Juntos, podemos mudar o mundo, ainda que apenas o nosso. E é isso que importa. Ser feliz e rir como bobos. Mesmo que o motivo da risada seja o fato de eu ter enfiado o pé na lama (literalmente) no nosso primeiro encontro. Coisas da vida. Coisas do amor. Coisas da timidez.

Hoje, a gente comemora mais um mês juntos. Por acaso, é um sábado, como no dia 17 de novembro de 2012. Sei que, quando a gente se encontrar, logo mais, eu vou me emocionar de novo, em um abraço bem apertado, porque tenho a certeza de que o nosso sentimento vale a pena. Duas metades juntas, que se encaixaram.

Gregório, espero nunca ter que escrever um texto como o seu – mesmo que eu admire as suas crônicas. Porque o que me dá uma felicidade muito profunda é estar vivendo um grande amor na vida. E eu quero que esse amor seja único e eterno nesse curto espaço de tempo que dura a nossa vida. Como nos livros, quero um amor de almas gêmeas. E a Bruna é a minha alma gêmea.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s