O que sei do amor


Outro dia, enquanto estava na cama, esperando o sono chegar, me perguntei: o que sei do amor? Se eu tivesse essa dúvida mais de quatro anos atrás, não saberia responder. Hoje, eu olho para tudo que tenho vivido e penso ser o momento certo para começar a me responder.

Então, afinal, o que eu sei do amor?

O amor demora para aparecer, mas quando aparece anda bem rápido para não se atrasar. A preparação do amor é algo demorado e desnecessário, porque a beleza natural que ele traz é suficiente para fazer desmaiar de paixão qualquer pessoa.

O amor tem um metro e meio de altura, mas insiste em considerar alguns centímetros dispensáveis a mais, sem saber que está no tamanho ideal de um abraço completo. Um abraço que dá a completa sensação de poder proteger, de poder carregar, de poder cuidar.

O amor tem cabelos pretos, mas insiste em dizer que quer pintá-los de… preto para deixá-los… pretos. O amor tem uma cabeleira grande, suave, que cai sobre os ombros e as costas. Sempre são ameaçados de extinção, mas apenas meio milímetro morre a cada dois ou três meses.

O amor desperta todos os dias às cinco e meia, com uma mensagem minha. Não existe uma só manhã sem que o meu fiel “bom dia” não esteja lá. Mas antes de o amor responder, eu já caí de sono. Não é por maldade, sabe.

para-postar-1

O amor reclama o tempo inteiro de ter que pegar ônibus e metrô cheios durante a semana, de manhã e à noite (eu também). Reclama do calor, reclama do frio, reclama da chuva, reclama do tempo seco e de quem discute temperatura no Instagram. E isso é apaixonante.

O amor tem sempre razão e isso não é algo que se possa discutir (nem é uma ironia). Não ouse dizer que o caminho é por ali quando o amor disser que é por lá. A chance de você estar errado é total. Siga sua opinião para ver. E aguente mil “eu disse, você não me escuta” depois.

O amor é teimoso. Teimoso é pouco. É muito teimoso. Extremamente teimoso. Mas esse é um charme tão grande que acabo, ao final, pensando que o amor é que está sempre com a razão e eu é que sou teimoso. Mas não digo isso, porque sou teimoso também.

Outra coisa importante: o amor não gosta que eu diga que ele é teimoso, nem que reclama demais. Vai teimar que não é teimoso e reclamar que não reclama demais. É brincadeira. O amor também é essencialmente uma grande zoeira.

O amor canta Anitta quando está tomando banho e apenas dois versos de “Sim ou não” podem ser ouvidos a pelo menos dois quilômetros. Só dois versos podem ser ouvidos porque são só esses dois versos que o amor decorou em meses de cantoria.

O amor exala uma felicidade tão grande que começa a dançar do nada, mesmo quando está descendo ou subindo escadas. Perto do amor, a Gretchen nem em sonho receberia o título de rainha do rebolado. Mesmo que ao som de Wesley Safadão.

Qual é o prato preferido do amor? Ora, todos. O próprio amor me disse isso. Quem viu, vive e dá testemunho. Claro que entre alguns pratos, o amor teima em escolher alguns (todos), como feijoada: o amor passa um mês comendo sem reclamar, enquanto você fica verde de enjoo.

O amor brinca com os cabelos ao mesmo tempo em que brinca de entrelaçar seus dedos aos meus e de apertá-los bem forte para exibir sua grandiosa força inexistente. A força física dá espaço a um coração tão forte e arrebatador que só de imaginar perco as forças com a emoção.

O amor tem movimentos graciosos que mais parecem com o vento suave que passeia sobre as serras depois de vir do mar. Esse mesmo vento agita as ondas apenas pelo prazer de ver a paisagem mais bonita. E não é que toda vez funciona?

Mas se o amor é vento, não é um vento passageiro. É algo permanente, necessário como a nossa respiração. Leva para longe as nuvens e deixa o céu limpo para que se possa observar o mais belo espetáculo construído pelo amor: a intensidade de um olhar.

O amor tem olhos mais brilhantes que o sol do meio-dia em tempos de verão. Possuem até a mesma cor que a estrela exibe quando nasce ou se põe. Um tom encantador, que apenas Machado de Assis conseguiria definir, a exemplo de como fez com Capitu.

just_married-wallpaper-1920x1080

O amor gosta de chocolate preto e branco (vai, Corinthians!), colorido, derretido e congelado. O amor precisa de um pote de Nutella em determinados períodos do mês, já agendados por mim para evitar que o amor roube e utilize a Lucile, do Negan.

O amor vai me dar uns bons tapas por ter contado algumas coisas aqui. Ainda que eu exagere um pouco em algumas coisas (não no caso da feijoada, por exemplo), estou atento a todos os detalhes que o amor transmite, ainda que involuntariamente.

O amor deixa as maçãs do rosto altas quando está irritado. O amor semicerra os olhos sempre que desconfia de algo. O amor perde a respiração ao ser pego no colo. O amor dá literais pulos ao ver uma barata. O amor tem uma barata de plástico no guarda-roupas.

O amor não come calabresa porque uma vez comeu um lanche em que a linguiça estava estranha. O amor come comida fria porque tem fome demais para esperar esquentar. O amor não consegue digitar mais de dez palavras em cada mensagem do WhatsApp.

O amor tem cócegas no joelho. Essa revelação foi cruel. Acredito que vou apanhar.

Mas nada se compara ao fato de que o amor é a base de toda uma vida. Que demorou dezenove anos para aparecer e hoje mostra como todo esse tempo, sem ele, não teve a menor graça. Mas valeu a pena. Porque toda essa espera ensina, hoje, a dar muito valor.

O amor é aquilo que em todos os sonhos eu procurei, que se revelou na realidade na mesma maneira como se apresentava a cada noite – ou a cada manhã, afinal o nosso sono e a nossa preguiça não têm restrição de horário.

O amor é perfeito e por mais que ele insista em procurar defeitos em si mesmo, perde todas as discussões para o meu simples argumento: o amor é perfeito porque ele é o amor. Ele se basta. O amor é autossuficiente e é suficientemente o que me é suficiente.

Eu sei muito do amor, afinal.

Ninguém sabe tanto sobre o amor quanto eu. Sinto dizer, não precisa se envergonhar. Eu sei e isso é fato. Você não sabe. Mas um dia poderá aprender, se encontrar o amor. Eu encontrei – e hoje faz quatro anos que selamos esse encontro.

O amor continua a me construir, com seus tijolos de carinho e seu cimento de doçura. E essa edificação vai se tornando cada vez mais forte, indestrutível, um refúgio necessário e completo, que não precisa de mais nada, apenas de um jardim, que vai sendo plantado aos poucos.

O amor é tudo que importa. É tudo que eu preciso. O amor é a Bruna e hoje é nosso aniversário. Mais um aniversário. Que o nosso amor seja eterno, tão longo quanto este texto de paixão sincera.

Afinal, há muito mais a saber sobre o amor…

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s