Morte sólida em tempo líquido


Logo na primeira semana, o ano de 2017 já indicou que o mundo continuará se liquefazendo sem poupar ninguém. É que o grande sociólogo polonês Zygmunt Bauman morreu em 9 de janeiro, aos 91 anos de idade.

Bauman passou boa parte da vida nos mostrando o quanto estamos perdidos no mundo. Nada para a nossa geração é eterno, tudo é passageiro. Algo líquido. Que se movimenta conforme a dança e que se adapta a quase tudo, o bom ou o ruim.

Por exemplo, ele nos mostrou que as redes sociais são uma grande armadilha que nos levam a uma realidade paralela, quase imaginária, que nos afasta das pessoas. Dos relacionamentos. Do amor. Sendo um pilar, não podemos deixar que o amor seja líquido.

A vida é muito mais que isso tudo, talvez dissesse Bauman. E isso porque a sua única certeza era a incerteza. Essa é a sabedoria de um estudioso passada de uma forma como se ele fosse um grande avô da humanidade, com exemplos, conselhos, muitas histórias…

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O único problema de Bauman é que, infelizmente, ele mostrou como tudo pode se transformar em líquido, mas não ajudou a nos prepararmos para aquilo que definitivamente é a coisa mais sólida da vida: a morte.

A morte é um desafio. É algo sólido e pesado que cai sobre a cabeça daqueles que aqui permanecem e machuca. Mas passa. A dor passa, ela também é líquida e camaleônica. Mas existe algo mais perene, que poucos ousaram abordar.

É o estado gasoso das coisas. Marshall Berman tem um livro com título “Tudo que é sólido desmancha no ar”. Aqui, vamos dizer que tudo vira poeira (Rita Lee disse que tudo vira bosta, vá lá). Mas não uma poeira ruim.

Os ensinamentos de Bauman, por exemplo, são sobre a liquidez, mas são pensamentos muito sólidos, que de tão firmes, se desmancharam, viraram gás. Se espalharam por todo o mundo numa velocidade muito rápida e são contraídos como germes (bons germes).

É tempo de encerrar as férias. E criar um ciclo. Transformar aquilo que é líquido em sólido. Fazer com que o sólido se faça gasoso e permitir que a amizade e o amor se espalhem com mais intensidade e que a ética também. O mundo precisa disso.

Devem vir temos difíceis.

E em tempos muito difíceis, é a homenagem que devemos a Bauman.

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