Decorativo


Michel Temer passou os quatro primeiros anos do governo de Dilma Rousseff como vice decorativo, segundo ele próprio avaliou. O quinto ano, ou o primeiro do segundo mandato, passou como conspirador e golpista.

Daí ao primeiro ano completo de seu próprio governo ilegítimo, tem demostrado que não apenas era um vice, mas agora é um presidente da República decorativo, subordinado unicamente aos interesses de empresários e do próprio bolso.

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A fita de Michel Temer revelada pelo rei do gado, Joesley Batista, não culminou num suicídio como na série das 13 razões – aliás, “13 reasons why” seria um bom título para uma peça publicitária do partido da estrela.

A fita de Michel Temer culminou em uma série de questionamentos ignorados por má fé ou por pura inocência pelo juiz de Curitiba que está à frente de determinada operação contra um certo tipo de corrupção que ninguém ainda compreendeu.

O áudio pode não revelar exatamente o que diz o presidente nem esclarecer os códigos que possivelmente eram utilizados na conversa. Mas é suspeito que a conversa tenha acontecido à noite, na miúda.

O fato de a reunião ter servido unicamente para o debate de temas ligados ao governo exigia, sim, uma divulgação oficial de agenda. O que não aconteceu. Mesmo porque o empresário entrou no palácio sem ao menos ter que se identificar.

A avaliação da conduta de Temer deve ser feita não pelo que ele diz, apenas, mas pelo que ele não diz. A sabedoria popular e secular é muito clara: quem cala, consente. E o simples fato de não impedir alguns assuntos é uma anuência criminosa.

Primeiro, porque Temer não deveria ter se encontrado às escondidas com um investigado, qualquer estúpido sabe que haverá especulações. Segundo, porque Temer deveria ter advertido o interlocutor pelos Temas. Não o fez.

Então, não há inocência aparente.

Por isso, é preciso que o presidente renuncie ao cargo.

A desculpa da vez é que o áudio está editado. Pode ser que esteja, mas não há garantia de que os cortes na conversa não tenham servido para poupar ainda mais o presidente. Começou uma roleta russa e o resultado não será bom para ninguém, de qualquer modo.

Enquanto aguardamos o desenrolar da história, precisamos fazer algumas observações: nada pode me tirar da cabeça que essa revelação faz parte de uma grande vingança arquitetada pela galera da linguiça de papelão.

Digo mais: tendo em vista as denúncias de que Temer tem um pacto com o Diabo, coloquei o disco da Xuxa para tocar ao contrário, aqui, e o demônio negou veemente ter envolvimento com o nosso presidente. Acredito nele.

Por fim, é preciso que a gente vá às ruas e impeça que permaneça à frente do país um homem de mau caráter, que vive de discursos prolixos e histéricos, de utilizar advérbios e arcaicas mesóclises – o tipo de linguagem indica o retrocesso que a pessoa representa. Aliás, se renunciar, será o segundo adepto da mesóclise a fazer isso no país.

O primeiro foi o Jânio Quadros.

Não sejamos ingênuos ou idiotas ao ponto de, como Ana Maria Braga que oferece abóbora a quem não come abóbora, sugerir, quinze horas depois da divulgação do conteúdo dos áudios de Temer, que “o primeiro a pedir desculpas é o mais corajoso, o primeiro a perdoar é o mais forte e o primeiro a esquecer é o mais feliz”.

Tem coisas que a gente não pode aturar.

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