Suprema arrogância

“Eu fui estudante e eu sou amante da língua portuguesa. Acho que o cargo é de presidente, não é, não?”, disse rindo a ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha, Carminha para os íntimos, ao tomar posse da presidência do Supremo Tribunal Federal.

Ela havia sido questionada pelo colega que transmita o cargo, Ricardo Lewandowski, se ela seria uma presidente ou uma presidenta. Isso aconteceu em 10 de agosto de 2016 e demonstrou que a suprema senhora precisa estudar mais seu idioma nativo.

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Leitor raiz

O leitor raiz tem uma visão romântica do livro. O leitor raiz tem prazer em folhear as obras. O leitor raiz suspira ao sentir um cheiro de páginas novas – e também adora o perfume dos antigos. O leitor raiz fica encantado com o amarelado de um livro velho. O leitor raiz vai me corrigir, dizendo que não há livros velhos, mas clássicos.

Já o leitor nutella pouco se importa se o livro não tem orelhas nem pensa duas vezes antes de dobrar uma página para marcá-la. O leitor nutella não se importa se as páginas são offset (brancas) ou pólen (levemente amareladas). O leitor nutella sequer tem problemas em ficar horas lendo no computador e espirra com livros empoeirados.

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A fé na avenida

A origem do carnaval é mais ou menos pagã (pelo menos aos olhos dos cristãos). Os religiosos conservadores abominam a festa que antecede a quaresma, a paixão e a ressurreição de Jesus. Mas em poucas épocas do ano se fala tanto em religião quanto durante o reinado de Momo.

Ora, você pode dizer que eu estou ficando maluco. Não estou. E vou mostrar isso. Os enredos de todas (todas) as escolas do grupo especial paulistano que desfilaram no sambódromo faziam referências diretas ou indiretas à fé ou a religiões.

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Retalhos de almas

Afinal, todos somos como Lord Voldemort. Queremos deixar partes da nossa alma espalhadas pela cidade afora, para que sejamos imortais. Claro que ele, com as horcruxes, queria algo diferente de nós.

Só queremos ser lembrados como alguém que marcou alguém.

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A criança amaldiçoada

J. K. Rowling tem, com Harry Potter, a mesma dificuldade que Arthur Conan Doyle teve com Sherlock Holmes: a personagem fez um sucesso estrondoso e o público nunca aceitou o fim das aventuras, obrigando o autor a “ressuscitá-lo” (no caso de Sherlock, literalmente) para que os leitores pudessem se deliciar. Conan Doyle fez isso muito melhor do que Rowling tenta agora fazer.

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