Suprema arrogância

“Eu fui estudante e eu sou amante da língua portuguesa. Acho que o cargo é de presidente, não é, não?”, disse rindo a ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha, Carminha para os íntimos, ao tomar posse da presidência do Supremo Tribunal Federal.

Ela havia sido questionada pelo colega que transmita o cargo, Ricardo Lewandowski, se ela seria uma presidente ou uma presidenta. Isso aconteceu em 10 de agosto de 2016 e demonstrou que a suprema senhora precisa estudar mais seu idioma nativo.

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A fé na avenida

A origem do carnaval é mais ou menos pagã (pelo menos aos olhos dos cristãos). Os religiosos conservadores abominam a festa que antecede a quaresma, a paixão e a ressurreição de Jesus. Mas em poucas épocas do ano se fala tanto em religião quanto durante o reinado de Momo.

Ora, você pode dizer que eu estou ficando maluco. Não estou. E vou mostrar isso. Os enredos de todas (todas) as escolas do grupo especial paulistano que desfilaram no sambódromo faziam referências diretas ou indiretas à fé ou a religiões.

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A escolha

Eu duvido que o novo prefeito de São Paulo fará um governo melhor que o atual. Assim, não concordo, mas aceito o resultado das urnas apuradas. Três milhões, oitenta e cinco mil, cento e oitenta e sete é um número significativo. E foi essa a quantidade de votos que João Doria teve – o suficiente para ser eleito em primeiro turno.

O total de votos é pouco inferior à diferença que fez Dilma Rousseff vencer Aécio Neves, na segunda rodada do pleito presidencial de dois anos atrás. Entretanto, a quantidade de pessoas que votou em Doria é menor do que o total de brancos, nulos e abstenções: 3.096.304. Não há consenso sobre qual projeto de governo é melhor para a capital paulista.

Se o vencedor da eleição tivesse sido outro candidato, possivelmente não estaríamos tranquilos. A essa altura do campeonato, uma recontagem dos votos já teria sido pedida, assim como a auditoria das urnas, e um golpe já estaria sendo articulado pela oposição. Não queremos isso novamente. A democracia já foi muito maltratada.

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Os golpistas

“O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria, e inda mais alegre ainda no meio da tristeza!”

A passagem acima foi escrita por João Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas. Um trecho dela, em negrito, foi citado por Dilma Rousseff durante sessão de defesa em que ela respondeu a senadores. Enquanto ela citava o mestre, nem precisamos dizer que a acusação se baseou na filosofia de Kim Katinguelê.

No dia 31 de agosto de 2016, na hora do almoço, a democracia do país sofreu mais uma indigestão: sessenta e um senadores da República Federativa do Brasil consolidaram o golpe parlamentar, que teve como vítima a presidenta Dilma, acusada de um crime de responsabilidade do mundo das fantasias.

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Um país derrotado

Tudo está consumado.

Dilma Rousseff foi crucificada. Uma presidenta eleita por 54.501.118 brasileiros está deposta de seu cargo após um processo circense no Senado brasileiro.

Para que se cumpram as escrituras, é necessário que Dilma venha a público e diga: tenho sede – sede de justiça. Porque é a justiça que os inocentes procuram.

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