Fim de uma dor, início de outra

Ninguém é tão velho que não espere que depois de um dia não venha outro, disse uma vez o filósofo Sêneca. Mas talvez não tenha sido o que pensou um aposentado de 74 anos, por volta das 15h30 do dia 28 de setembro. Ele deve ter chegado ao ápice do cansaço de ouvir o pedido, naquele domingo.

O velho comprou um morteiro e encontrou um cano de PVC para que pudesse completar o plano. Por mais que ele quisesse partir junto, como Rachel de Queiróz diria, morrer, só se morre só: o moribundo se isola numa redoma de vidro, ele e a sua agonia, nada ajuda nem acompanha.

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Policial chorou após fazer parto

_midia_Imagem_00020755Já passava segunda hora de sábado (14), quando, desesperado, um pai ligou para o telefone de emergência 190, do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), pedindo ajuda.

A mulher dele, grávida, estava com contrações e a ambulância não chegaria a tempo ao Jardim Planalto, em Carapicuíba, cidade da Grande São Paulo

“Eu e um colega fomos avisados da ocorrência, quando patrulhávamos a região e imediatamente fomos para lá, também um pouco apreensivos, afinal não sabíamos o que poderia acontecer”, conta o soldado Leonardo França de Souza, do 33º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (BPM/M).

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O amor no necrotério

A médica legista Marília de Deus Dias Vieira tem 49 anos e completa meio século de vida em 15 de outubro.

Ela é especialista em tanatologia e em infectologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Antes de trabalhar com necropsias, ela fez residência no Instituto de Infectologia Emílio Ribas.

A carreira de médica de Marília começou na Bahia, quando começou a estudar. Ela morou na terra do axé por seis anos, mas teve que mudar de Estado no terceiro ano da graduação e terminou a faculdade em Mogi das Cruzes, no ano de 1990.

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A luz sobre o corpo do bebê

O rabecão chegou. É assim que costumam chamar o carro do Instituto Médico Legal (IML) que carrega os cadáveres pelo Estado de São Paulo.

O rabecão chegou e trazia um bebê. De seis meses. Morto durante uma madrugada fria de inverno.

Os pais se aproximaram, avisando que a criança caiu do berço. O advogado da família apareceu ao mesmo tempo, exigindo que uma necropsia fosse realizada imediatamente.

“Esperto, o homem da lei tentava conseguir bons resultados para seus clientes”, disse o contador de histórias e diretor do IML, Ricardo Kirche Cristofi.

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A prova no deserto

Quem já ligou para a assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública (SSP), provavelmente já ouviu uma frase de boas-vindas tida como tradicional pela equipe do governo: “Imprensa, boa tarde, Maria José”. O tom do ponto final pode parecer uma interrogação, dando a impressão de um tímido e oculto “o que deseja?”.

A voz que fala é de Maria José, funcionária pública estadual há 32 anos, que já trabalhou no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo, e hoje é a secretária da redação do gabinete da Segurança. Mais conhecida pelo apelido, Zezé tem 59 anos e carrega uma história cheia do que chama de “sobrenatural”. Tudo que acontece com ela é diferente.

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